Esta na moda a questão do pensamento positivo e da alteração de matrizes de pensamento.
De facto faz algum sentido a nível de senso comum que se mantivermos o mesmo hardware e correremos um software diferente é natural que o desempenho do cpu seja alterado… a questão é saber se para melhor ou pior.
Seguindo o paralelismo informático, não creio a mente se possa reprogramar apenas por ler um livro ou fazer uns exercidos mentais: não podemos formatar o espírito e fazer tábua rasa da nossa infância e adolescência formadora da personalidade – podemos quando muito deixar de usar o Internet Explorer da Microsoft e passar a usar o Firefox da Mozilla.
Ver o mundo com olhos de ver pode gerar algumas alterações, as mudanças de hábitos também, mas se o hardware estiver desactualizado, não se podem esperar milagres.
Faz anos que embarquei numa aventura arriscada de emprego. Tentei seguir um rumo difícil e sem garantias, como migrante na capital em busca do El dourado profissional. Tal empresa estava condicionada à partida por vários vícios internos uma vez que no meu intimo eu encarei a mudança de cidade como algo probatório e nunca definitivo.
Foi no clima de teste que este diário se começou a escrever por si próprio num misto de busca por explicações para o sucedido, e por outro lado para evitar a solidão do desenraizamento a que me vetei voluntariamente – queria provar que eu era um bom profissional e que era um corajoso radical capaz de deixar tudo para trás das costas. Foi neste clima meio absorto que eu cometi um erro de vida crucial – um erro que me deu muitos dissabores, mas que foi uma importante lição de vida: eu errei porque estava a seguir um rumo em que tinha algo a provar aos outros e não a mim próprio.
Foi assim que eu embarquei num barco sem rumo definido, com todas os problemas que ocorrem quando se viagem sem destino. Por isso rapidamente todo o processo se tornou um sacrifício que relutantemente tive que aguentar ainda mais cinco meses. Foi cansativo. Mas aprendi uma lição muito valida – só temos coisas a provar a nós próprios.
Cada macaco no seu galho, e uma expressão muito comum, mas que se traduz num enorme rol de considerações. A hierarquia, a burocracia e o conservadorismo reaccionário defendem-se segundo esta curiosa máxima.
Pessoalmente acho que no nosso país esta expressão é levada a letra e questões de autoridade formal são levadas à letra, por muito que a hierarquia seja instituída de forma rocambolesca. Nas empresas normais, pela maior parte dos países desenvolvidos, o chefe é encontrado por mérito e provas dadas, mas infelizmente aqui existem critérios extra gestão que entopem a capacidade competitiva e evolutiva das empresas – tornando-se no fundo incapazes de evoluir e competir.
A «cunha» e os «lambe-botas» são os principais critérios de evolução das carreiras ao contrario da competência e mérito e os ganhos altos são preenchidos por incapazes e incompetentes para os cargos que se dedicam exclusivamente a manter o status quo, maltratando os subordinados e obedecendo cegamente a qualquer ordem, mesmo que totalmente irrealista vinda de cima.
Curiosamente a expressão macacos sem galho é algo que se me faz lembrar o desnorte político e democrático da República Portuguesa…
Navegando em mares recorrentes, sem nenhuma água salgada na companhia das mulheres da minha vida, foi uma experiência nova e alegre. Muito me apraz pensar que sou um gajo afortunado e que o destino me foi muito favorável, na vida confortável que me reservou.
Com horários rígidos e responsabilidades diferentes a minha praia foi aproveitada a conta-gotas e o solário foi o solução recorrente. A calma e o descanso pautaram um gosto pela preguiça e pelo prazer de estar a viver um doce sonho.
Mas além do mar salgado, tive ainda tempo para desfrutar da urze raiana, das longas viagens entre as três fortalezas fronteiriças, por entre ondas de vales e montanhas. As cidadelas estavam lindas, bem cuidadas e remontavam a um presente orgulhoso do passado, agradável à vista e aos turistas.
Foi bom , terno e curto.
Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.
Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.
Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.
Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.