120 hours and counting

Afinal é possível aguentar um embate com a ressaca de parar de fumar, desde que estejamos com alguma força de vontade. É certo que estou com os nervos em franja, que todo o corpo parece meio dolorido e que na minha boca há invariavelmente um chiclets ice de canela a libertar algum sabor para disfarçar qualquer vontade.

É estranho sentir aqueles flashes momentâneos de junky, numa espécie de pânico inconsciente de que agora era a altura que eu pegava em mais um cigarro. Hábitos encerrados bem fundo na consciência, mas que não resistem a trinta segundos de introspecção.
Nesta minha tentativa empolgada para deixar de fumar sigo uns princípios simples:

  1. Prometer a mim mesmo que vou chegar ao fim do dia sem tocar sequer em algo que tenha folhas de tabaco (cigarros, cigarrilhas, charutos, charros e beatas)
  2. Evitar rapidamente qualquer local que tenha o odor fétido do tabaco a arder; não olhando sequer para qualquer tabaco, maço, ou até vending machines.
  3. Inventar mil e uma quebras de rotina, desde as mais singelas, até às mais absurdas ocupações, submetendo o corpo e espirito a constantes situações de adaptação. No fundo descompensações constantes.
  4. Exercícios de respiração, desporto, insistência em puxar até ao limite o corpo.
  5. Bebendo água desmesuradamente, evitando o aumento de apetite e outros desconfortos.
  6. Mantendo ocupada a boca (mascando, roendo, mordendo, etc.), com movimentos e sabores, incluindo uma higiene oral capaz de levar à erosão de esmalte.

Para já os pulmões começam apenas a fazer uns queixumes, uma tosse ainda medrosa de alivio, num início de desintoxicação orgânica que leva anos a libertar o alcatrão. Está a valer a pena.
Tenho consciência que o pior periodo é sem dúvida quando se chega às semanas dois e três. O espírito e o empenho começam a quebrar e pecadilhos rumo à recaida são vistos de forma menos grave e surgem uma data de descupabilizações face a diminuição da força de vontade, numa epóca em que ainda não nos libertamos da dependência organica de forma consistente. É dessa fase que tenho mais medo.

3 comentários em “120 hours and counting”

  1. Boa sorte!
    Se conseguires diz-me alguma coisa,porque cada vez que penso sequer em deixar de fumar,pego logo num…cigarro(que estupidez!).
    Mais uma vez,desejo-te a maior das sortes.Preciso de exemplos…

  2. Era eu um fumador inveterado, um maço de dose diária minima durante uma decada e já fumando à 15 anos.

    Uma semana sem fumar sem nenhum sofrimento. Quinze dias de automotivação anteriores, uns calmantes muito soft para emergencias, nicoretes mastigaveis (piug arhhhhh) idem, bolsos cheios de todos os tipos de pastilhas elásticas.

    Já tinha tentado antes três vezes sem grandes resultados, mas desta vez parece ser bastante mais forte, resistindo mesmo a jantares com fumadores sem nenhum esforço, nem deixei de tomar café.

    Acho que o metodo não é dizer «Vou deixar de fumar» mas sim «Hoje vou chegar ao fim do dia sem por um cigarro à boca», muito ao estilo dos alcoolicos anonimos. E claro Muito exercicio fisico, não só para atenuar a voracidade do apetite como para exigir dos pulmões uma limpeza mais apromada.

    É fácil. Não custa mesmo nada e pelas minhas contas já poupei 15 euros numa semana (é preciso descontar o consumo das Adams).

    A questão agora é resistir.

  3. Já por 3 vezes cheguei à conclusão que é muito fácil deixar de fumar. Igual número de vezes concluí que ainda é mais fácil recomeçar!

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