Beijos Esquecidos

Sobranceiro numa sombra perdida,
Não encontro um equinócio nem solstício.
Num jardim onde deambula uma alma partida,
Sem rosas nem jasmins, sem fim nem princípio.

Nessa ausência dolorosa, partilho o medo,
Esqueço que te desejo e busco loucamente
Para além de um limbo apático sem credo,
Numa crença de me fugires amargamente.

Conquista-me a vontade;
Corta minhas raízes profundas;
Bebe da minha verdade!

Realiza meus desejos;
Levanta minhas mãos prostradas;
Dá-me doces beijos!

Hoje é um dia Kitten @ LUX

Glória ou perdição a 300 quilómetros de distancia, numa noite que provavelmente não vai ter tréguas. Saio mais cedo e vou no 130 cavalos (menos alguns, que o raio do turbo-compressor necessita um arranjo caro) com N.. Nos planos queremos ir à grande cidade, recolher a S. e C. que regressam das suas férias africanas, para irmos jantar ao Tia Alice.

Depois é Club Kitten, e já se sabe, quando é Club Kitten tudo vale. A ver se as peripécias não serão demasiadas para uma noite…

consilio et animis

Na cabeceira

Não tenho lido muito ultimamente, mas resta-me o consolo de ter uma bela pilha de livros ao lado da cama, em lista de espera para serem devorados, todos recomendações femininas:

  1. Afirma Pereira“,de Antonio Tabucchi – estou a gostar ler aos poucos este livro sobre uma Lisboa salazarenta, mas vou lendo aos poucos.
  2. Parapsicologia – subversão infinita?” da C.L.A.P Portugal. Recomendado e emprestado pela S. e que estou a saborear deleitado.
  3. Guia de Meditação“, Paramanada. É um livro emprestado pela J., e é decididamente a minha próxima leitura, pois estou cada vez mais interessado na filosofia e maneira de estar oriental.
  4. O Amante de Lady Chatterley“, de D.H. Lawrence. Foi a proposta da I. Para as férias, só que ainda não lhe peguei…
  5. Escala Evolutiva – sistema de Avaliação e Hierarquia da Universidade de Yôga“, Mestre Sé;rgio Santos. O livro está impregnado num cheiro a incenso imaculado, também da J. , mas que temo que tenha mais uma função decorativa/purificante.
  6. Tudo o que você; nunca quis saber sobe Yôga (e jamais teve a intenção de perguntar)”, Mestre De Rose. Mais uma vez perfumado e emprestado pela J., mas que decididamente está na lista de leituras próximas.

Apatia, conflitos e o argumentista

Nada. Não me apetece fazer absolutamente nada. Como se estivesse a tomar uma boa dosagem de Prozac para ficar pacato e preguiçoso. Castrado. Mas não estou a químicos, estou apenas a ressacar das diferenças de andamento e velocidade quotidianas. Espero demasiado das pequenas peripécias do momento, ainda sobre o vício da aventura constante e da adrenalina do desconhecido.

Apesar deste ócio auto-inflingido, da tentativa de descanso físico, esta minha vivência plena de contradições, bate continuamente em teclas desgarradas do navegar com terra a vista. Existem pelo menos dez itens mentais de atitudes e acções urgentes e banais que quero efectuar o mais rapidamente possível. São coisas triviais na sua maioria, mas outras são importantes degraus que se sobem na existência, passos fulcrais da vida. Falta-me contudo aquele fogo de executar a tarefa, de planear o acto, que infelizmente nunca me caracterizou. Por isso estou em conflito entre essa apatia indesejada e a vontade de romper as linhas inimigas para ganhar finalmente esta batalha prolongada.

Temo antes demais, que o argumentista desmiolado da minha parca vivência, tenha ficado sem imaginação, reduzido a um aborrecido writers block.
É verdade que desde o inicio deste ano, esse escritor tem-me dado um papel exigente, cheio de cenas rigorosas e tem aperfeiçoado constantemente a minha personagem a ponto de as minhas interpretações melhorarem sensivelmente. Sucederam-se cenas melodramáticas, grandes voltes de face do enredo, grandes momentos cénicos. Será que este argumentista será capaz de manter o seu estilo e manter todo o suspense deste romance policial francês? Ou será que vai entrar num cómodo e medíocre alongamento da estória, para lá de uma banalidade interminável como a horrenda novela do “Anjo Selvagem“?

Prefiro que esta crónica tenha um final à vista, do que se prolongue sem o clímax que se os últimos episódios tiveram.

Não percam as cenas dos próximos capítulos…

Todo esse barulho infernal

ou
como os portugueses descobriram a pólvora

Nestes últimos dois meses uma enorme vaga de portugueses descobriram os weblogs. Actualmente tudo que tem a capacidade de escrever umas linhas, desde o intelectual reciclado de esquerda, até ao aprendiz de crítico literário blogam diariamente, e com direito a notícia no jornal, apesar dos míseros 15 dias de existência. E anuncia-se que se trata apenas de um inicio, uma vez que o ditado popular: “Onde mija um português, mijam logo dois ou três” é um dogma indiscutível.

Apesar deste ruído todo, surgiram muitas pérolas com enorme interesse que fogem à banalidade, mas na sua maioria são conceitos tediosos sobre a actualidade de pensamento típico de quem lê todas as semanas o Espesso, segue atentamente o Acontece, ou vai a todas as estreias hollywoodescas. Há ainda a corrente BE, de intervenção político-social de cariz critico embebida em sarcasmo, que acho profusamente intelectualoide para um weblog. Pior de tudo é que quase todos esses caloiros trocam galhardetes e críticas a torto e a direito e não conhecem nada do que está para além da sua comunidade de templates MacDonalds (ou parecem não ter consciência disso).

Claro que esta vaga revela alguns casos muito interessantes, mas na maioria dos casos trata-se apenas de um barulho ensurdecedor, como que se numa fila de trânsito todos começassem a buzinar. Felizmente isto de buzinar tem as suas vantagens – quem muito buzina também se cansa depressa, e só aqueles com motivações mais profundas do que a novidade de um brinquedo novo é que persistem.
Os cibernautas brasileiros passaram por isso à cerca de um ano, com uma enorme explosão de weblogs em português das américas. Actualmente nem 30% desses blogueiros persistem. Mesmo assim os weblogs brasileiros são de um número assustador, considerado de uma das mais altas taxas de penetração deste fenómeno.

Há lugar para todos na chamada blogosfera (o idiota que usou pela primeira vez este termo deveria ser levado para o Campo Pequeno e fuzilado sumariamente sem direito a um último cigarro), e expresso aqui as boas-vindas a todos aqueles que descobriram finalmente os prazeres de se expressarem através da publicação on-line.

Do Povo e para o Povo

Mesmo que todos fiquem surdos… antes de começar a ouvir-se boa música.

Só aqui um pequeno aparte: fico fulo da vida com o mongolismo de alguns pseudo jornalistas que escrevem sobre aquilo que não fazem a mais pequena ideia, e nem sequer se dignam a fazer um pouco de investigação, limitando-se reproduzir aquilo que os entrevistados lhe dizem. No Diário Económico surge a brilhante frase:

Portugal está cada vez mais presente na blogosfera, contando já com mais 400 'weblogs' nacionais sobre os mais variados assuntos, desde política, à cultura, passando pelo humor.“.

Só um perfeito cretino seria capaz de descobrir a pólvora dos weblogs e apreciando o número de 400 como válido. O Blogs em .pt não é representativo nem de 30% do universo dos Weblogs actualizados regularmente! Muitos livejournals, Pitas, b2 , MovableType , Nucleus , BigBlogTool , BlogWorks XML , Blogalia e Drupal blogs, weblogs.com.br e outras ferramentas de blogação que não passam pelo Blogger, nem pelo blogspot, feitos por portugueses, em português e actualizados ao longo de anos e não semanas como os referidos, não estão inseridos!
Mas como Portugal é um país em que existe sempre alguém a descobrir a pólvora …

Uns dias e noites exigentes!

Não me posso queixar de aborrecimento ou tédio. Desde quarta-feira que não sei o que é ter um serão calmo, proporcionando uma aprazível longa noite de sono. Em grosso modo estou a sentir que este cavalo de corrida, ainda tem estamina para dar mais uma dezena de voltas ao hipódromo a todo-o-galope, e que afinal a prova pode não ser de velocidade mas sim de resistência.

Positivamente não estou letárgico ou, pelo contrário histérico, para sentir que a minha vida deveria permanecer calma.
Há alturas da vida que temos que nos desgastar, nem que seja por uma causa vã ou demasiado passageira, apenas porque sentimos que há a necessidade de aproveitar os momentos tal qual eles esbarram contra nós.

Quarta-feira, as celebrações com I., quinta-feira estive com P. na Ribeira. Sexta-feira jantei com N. num restaurante a imitar fracamente a gastronomia e restauração da terra da Vera Cruz. Mais tarde, e já com algumas saudosas caipirinhas fomos até ao rio, onde encontramos as J.s num sitio chamado Zoo. I. cortou-se, o que me irritou um pouco, talvez por não ter mais paciência. O resto da noite foi bastante comprida, e acabou no talho a abarrotar de gente, e eu já devidamente encopado.

Sábado foi um dia sisudo, tentando descansar, mas a noite levou-me ao Matrix Reloded com N. J. e I. Para não ser escasso o meu tempo, larguei a brigada do reumático e segui, apesar de exausto, para uma sessão de D´n´B com o Bricolage no H.C. onde dancei e trotei até tarde. Ver a Invicta daquele ponto de vista sobranceiro ao Douro, bem do lado oposto, é um dos quadros mais perfeitos de luz e enredo de formas de uma cidade que sobe uma encosta e se reflecte no Rio. Que parvoíce tentarem colocar umas pseudo-docas lá.
Para carimbar a noite em grande só mesmo vencer as estatísticas e ter que bufar ao balão, algo que eu nunca tinha feito antes. resultado: 0,00! (se fossem 24 horas antes, nem o meu poderosíssimo anjo-da-guarda me valia…)

Last but not leastt, Domingo foi tempo de Sol, e de assistir às contabilidades do Inspector P. sobre a sua viagem à abençoada cidade de Sevilha. À noite, apesar dos abalos sísmicos que as minhas pestanas produziam, foi com todo prazer que me reencontrei com a minha mana, que já não via desde o Natal. Com R., F. e Chi. foi uma conversa de recordação, bastante animada, falando do Passado mas também no Futuro, das pequenas e grandes coisas singelas da vida.

E é assim que eu tenho deixado algumas horas por dormir. Afinal posso dormir tudo o que quiser quando estiver 7 palmos debaixo de terra…

Um canto de sereia

Não sou uma pessoa muito influenciada pela melodias da moda. Aprecio demasiadamente a música para não me sujeitar a histerias melódicas do momento. Contudo de vez em quando alguma canção pode abrir uma memória e uma brecha no espirito a ponto de nos enfeitiçar. Como um canto de sereia divinal que não podemos resistir. Provavelmente fiquei debaixo do seu encanto, quando acordei ao seu som logo após a minha chegada da América do Sol e julguei estar ainda a milhares de quilómetros de distancia.

Este tipo melodias podem ser como uma mulher belíssima que toma conta de todos os nossos pensamentos e que desejamos ardentemente conhecer no sentido bíblico, mas que após chegarmos a vias de facto deixa de ter qualquer interesse. Tal aconteceu com o anúncio televisivo da Optimus onde um conjunto de caras sorridentes inundadas de luz de um amanhecer forte, que publicitam os serviços multimédia da chamada 3G de serviços celulares.

Após vários dias de total desespero finalmente descobri os autores da faixa sonora do anúncio. Tratam-se dos dinamarqueses Mew, e a música em causa é um bem baptizado tema, denominado Conforting Sounds. Provavelmente vou ouvi-lo até a exaustão e dentro de dois meses, quando invadir o top ten nacional vou ser submetido à tortura diária de ser bombardeado por um disco já muito riscado na minha mente.

Nos céus…

Na semana passada vi finalmente andorinhas a esvoaçar. Nada como essas simples aves para simbolizarem uma nova etapa do retorno anual, da sucessão das estação. As andorinhas são para mim o mais perfeito dos arautos de que a Primavera tomou com força o seu lugar e que vai florir e expandir-se em vida nova em breve.

Todos aqueles voos rápidos e picados, serpenteando em mil direcções, com voos rasantes e abrutos, mostram toda a energia, alegria e ânsia com que a nova renovação anual da vida se faz sentir. Ao observar esses seres tão frágeis, tão felizes, com um piar tão agitado e suave, faz-me sentir uma calma e esperança profundas. Fiquei feliz.