Beijos Esquecidos

Sobranceiro numa sombra perdida,
Não encontro um equinócio nem solstício.
Num jardim onde deambula uma alma partida,
Sem rosas nem jasmins, sem fim nem princípio.

Nessa ausência dolorosa, partilho o medo,
Esqueço que te desejo e busco loucamente
Para além de um limbo apático sem credo,
Numa crença de me fugires amargamente.

Conquista-me a vontade;
Corta minhas raízes profundas;
Bebe da minha verdade!

Realiza meus desejos;
Levanta minhas mãos prostradas;
Dá-me doces beijos!

Hoje é um dia Kitten @ LUX

Glória ou perdição a 300 quilómetros de distancia, numa noite que provavelmente não vai ter tréguas. Saio mais cedo e vou no 130 cavalos (menos alguns, que o raio do turbo-compressor necessita um arranjo caro) com N.. Nos planos queremos ir à grande cidade, recolher a S. e C. que regressam das suas férias africanas, para irmos jantar ao Tia Alice.

Depois é Club Kitten, e já se sabe, quando é Club Kitten tudo vale. A ver se as peripécias não serão demasiadas para uma noite…

consilio et animis

Na cabeceira

Não tenho lido muito ultimamente, mas resta-me o consolo de ter uma bela pilha de livros ao lado da cama, em lista de espera para serem devorados, todos recomendações femininas:

  1. Afirma Pereira“,de Antonio Tabucchi – estou a gostar ler aos poucos este livro sobre uma Lisboa salazarenta, mas vou lendo aos poucos.
  2. Parapsicologia – subversão infinita?” da C.L.A.P Portugal. Recomendado e emprestado pela S. e que estou a saborear deleitado.
  3. Guia de Meditação“, Paramanada. É um livro emprestado pela J., e é decididamente a minha próxima leitura, pois estou cada vez mais interessado na filosofia e maneira de estar oriental.
  4. O Amante de Lady Chatterley“, de D.H. Lawrence. Foi a proposta da I. Para as férias, só que ainda não lhe peguei…
  5. Escala Evolutiva – sistema de Avaliação e Hierarquia da Universidade de Yôga“, Mestre Sé;rgio Santos. O livro está impregnado num cheiro a incenso imaculado, também da J. , mas que temo que tenha mais uma função decorativa/purificante.
  6. Tudo o que você; nunca quis saber sobe Yôga (e jamais teve a intenção de perguntar)”, Mestre De Rose. Mais uma vez perfumado e emprestado pela J., mas que decididamente está na lista de leituras próximas.

Apatia, conflitos e o argumentista

Nada. Não me apetece fazer absolutamente nada. Como se estivesse a tomar uma boa dosagem de Prozac para ficar pacato e preguiçoso. Castrado. Mas não estou a químicos, estou apenas a ressacar das diferenças de andamento e velocidade quotidianas. Espero demasiado das pequenas peripécias do momento, ainda sobre o vício da aventura constante e da adrenalina do desconhecido.

Apesar deste ócio auto-inflingido, da tentativa de descanso físico, esta minha vivência plena de contradições, bate continuamente em teclas desgarradas do navegar com terra a vista. Existem pelo menos dez itens mentais de atitudes e acções urgentes e banais que quero efectuar o mais rapidamente possível. São coisas triviais na sua maioria, mas outras são importantes degraus que se sobem na existência, passos fulcrais da vida. Falta-me contudo aquele fogo de executar a tarefa, de planear o acto, que infelizmente nunca me caracterizou. Por isso estou em conflito entre essa apatia indesejada e a vontade de romper as linhas inimigas para ganhar finalmente esta batalha prolongada.

Temo antes demais, que o argumentista desmiolado da minha parca vivência, tenha ficado sem imaginação, reduzido a um aborrecido writers block.
É verdade que desde o inicio deste ano, esse escritor tem-me dado um papel exigente, cheio de cenas rigorosas e tem aperfeiçoado constantemente a minha personagem a ponto de as minhas interpretações melhorarem sensivelmente. Sucederam-se cenas melodramáticas, grandes voltes de face do enredo, grandes momentos cénicos. Será que este argumentista será capaz de manter o seu estilo e manter todo o suspense deste romance policial francês? Ou será que vai entrar num cómodo e medíocre alongamento da estória, para lá de uma banalidade interminável como a horrenda novela do “Anjo Selvagem“?

Prefiro que esta crónica tenha um final à vista, do que se prolongue sem o clímax que se os últimos episódios tiveram.

Não percam as cenas dos próximos capítulos…

Todo esse barulho infernal

ou
como os portugueses descobriram a pólvora

Nestes últimos dois meses uma enorme vaga de portugueses descobriram os weblogs. Actualmente tudo que tem a capacidade de escrever umas linhas, desde o intelectual reciclado de esquerda, até ao aprendiz de crítico literário blogam diariamente, e com direito a notícia no jornal, apesar dos míseros 15 dias de existência. E anuncia-se que se trata apenas de um inicio, uma vez que o ditado popular: “Onde mija um português, mijam logo dois ou três” é um dogma indiscutível.

Apesar deste ruído todo, surgiram muitas pérolas com enorme interesse que fogem à banalidade, mas na sua maioria são conceitos tediosos sobre a actualidade de pensamento típico de quem lê todas as semanas o Espesso, segue atentamente o Acontece, ou vai a todas as estreias hollywoodescas. Há ainda a corrente BE, de intervenção político-social de cariz critico embebida em sarcasmo, que acho profusamente intelectualoide para um weblog. Pior de tudo é que quase todos esses caloiros trocam galhardetes e críticas a torto e a direito e não conhecem nada do que está para além da sua comunidade de templates MacDonalds (ou parecem não ter consciência disso).

Claro que esta vaga revela alguns casos muito interessantes, mas na maioria dos casos trata-se apenas de um barulho ensurdecedor, como que se numa fila de trânsito todos começassem a buzinar. Felizmente isto de buzinar tem as suas vantagens – quem muito buzina também se cansa depressa, e só aqueles com motivações mais profundas do que a novidade de um brinquedo novo é que persistem.
Os cibernautas brasileiros passaram por isso à cerca de um ano, com uma enorme explosão de weblogs em português das américas. Actualmente nem 30% desses blogueiros persistem. Mesmo assim os weblogs brasileiros são de um número assustador, considerado de uma das mais altas taxas de penetração deste fenómeno.

Há lugar para todos na chamada blogosfera (o idiota que usou pela primeira vez este termo deveria ser levado para o Campo Pequeno e fuzilado sumariamente sem direito a um último cigarro), e expresso aqui as boas-vindas a todos aqueles que descobriram finalmente os prazeres de se expressarem através da publicação on-line.

Do Povo e para o Povo

Mesmo que todos fiquem surdos… antes de começar a ouvir-se boa música.

Só aqui um pequeno aparte: fico fulo da vida com o mongolismo de alguns pseudo jornalistas que escrevem sobre aquilo que não fazem a mais pequena ideia, e nem sequer se dignam a fazer um pouco de investigação, limitando-se reproduzir aquilo que os entrevistados lhe dizem. No Diário Económico surge a brilhante frase:

Portugal está cada vez mais presente na blogosfera, contando já com mais 400 'weblogs' nacionais sobre os mais variados assuntos, desde política, à cultura, passando pelo humor.“.

Só um perfeito cretino seria capaz de descobrir a pólvora dos weblogs e apreciando o número de 400 como válido. O Blogs em .pt não é representativo nem de 30% do universo dos Weblogs actualizados regularmente! Muitos livejournals, Pitas, b2 , MovableType , Nucleus , BigBlogTool , BlogWorks XML , Blogalia e Drupal blogs, weblogs.com.br e outras ferramentas de blogação que não passam pelo Blogger, nem pelo blogspot, feitos por portugueses, em português e actualizados ao longo de anos e não semanas como os referidos, não estão inseridos!
Mas como Portugal é um país em que existe sempre alguém a descobrir a pólvora …

Uns dias e noites exigentes!

Não me posso queixar de aborrecimento ou tédio. Desde quarta-feira que não sei o que é ter um serão calmo, proporcionando uma aprazível longa noite de sono. Em grosso modo estou a sentir que este cavalo de corrida, ainda tem estamina para dar mais uma dezena de voltas ao hipódromo a todo-o-galope, e que afinal a prova pode não ser de velocidade mas sim de resistência.

Positivamente não estou letárgico ou, pelo contrário histérico, para sentir que a minha vida deveria permanecer calma.
Há alturas da vida que temos que nos desgastar, nem que seja por uma causa vã ou demasiado passageira, apenas porque sentimos que há a necessidade de aproveitar os momentos tal qual eles esbarram contra nós.

Quarta-feira, as celebrações com I., quinta-feira estive com P. na Ribeira. Sexta-feira jantei com N. num restaurante a imitar fracamente a gastronomia e restauração da terra da Vera Cruz. Mais tarde, e já com algumas saudosas caipirinhas fomos até ao rio, onde encontramos as J.s num sitio chamado Zoo. I. cortou-se, o que me irritou um pouco, talvez por não ter mais paciência. O resto da noite foi bastante comprida, e acabou no talho a abarrotar de gente, e eu já devidamente encopado.

Sábado foi um dia sisudo, tentando descansar, mas a noite levou-me ao Matrix Reloded com N. J. e I. Para não ser escasso o meu tempo, larguei a brigada do reumático e segui, apesar de exausto, para uma sessão de D´n´B com o Bricolage no H.C. onde dancei e trotei até tarde. Ver a Invicta daquele ponto de vista sobranceiro ao Douro, bem do lado oposto, é um dos quadros mais perfeitos de luz e enredo de formas de uma cidade que sobe uma encosta e se reflecte no Rio. Que parvoíce tentarem colocar umas pseudo-docas lá.
Para carimbar a noite em grande só mesmo vencer as estatísticas e ter que bufar ao balão, algo que eu nunca tinha feito antes. resultado: 0,00! (se fossem 24 horas antes, nem o meu poderosíssimo anjo-da-guarda me valia…)

Last but not leastt, Domingo foi tempo de Sol, e de assistir às contabilidades do Inspector P. sobre a sua viagem à abençoada cidade de Sevilha. À noite, apesar dos abalos sísmicos que as minhas pestanas produziam, foi com todo prazer que me reencontrei com a minha mana, que já não via desde o Natal. Com R., F. e Chi. foi uma conversa de recordação, bastante animada, falando do Passado mas também no Futuro, das pequenas e grandes coisas singelas da vida.

E é assim que eu tenho deixado algumas horas por dormir. Afinal posso dormir tudo o que quiser quando estiver 7 palmos debaixo de terra…

Um canto de sereia

Não sou uma pessoa muito influenciada pela melodias da moda. Aprecio demasiadamente a música para não me sujeitar a histerias melódicas do momento. Contudo de vez em quando alguma canção pode abrir uma memória e uma brecha no espirito a ponto de nos enfeitiçar. Como um canto de sereia divinal que não podemos resistir. Provavelmente fiquei debaixo do seu encanto, quando acordei ao seu som logo após a minha chegada da América do Sol e julguei estar ainda a milhares de quilómetros de distancia.

Este tipo melodias podem ser como uma mulher belíssima que toma conta de todos os nossos pensamentos e que desejamos ardentemente conhecer no sentido bíblico, mas que após chegarmos a vias de facto deixa de ter qualquer interesse. Tal aconteceu com o anúncio televisivo da Optimus onde um conjunto de caras sorridentes inundadas de luz de um amanhecer forte, que publicitam os serviços multimédia da chamada 3G de serviços celulares.

Após vários dias de total desespero finalmente descobri os autores da faixa sonora do anúncio. Tratam-se dos dinamarqueses Mew, e a música em causa é um bem baptizado tema, denominado Conforting Sounds. Provavelmente vou ouvi-lo até a exaustão e dentro de dois meses, quando invadir o top ten nacional vou ser submetido à tortura diária de ser bombardeado por um disco já muito riscado na minha mente.

Nos céus…

Na semana passada vi finalmente andorinhas a esvoaçar. Nada como essas simples aves para simbolizarem uma nova etapa do retorno anual, da sucessão das estação. As andorinhas são para mim o mais perfeito dos arautos de que a Primavera tomou com força o seu lugar e que vai florir e expandir-se em vida nova em breve.

Todos aqueles voos rápidos e picados, serpenteando em mil direcções, com voos rasantes e abrutos, mostram toda a energia, alegria e ânsia com que a nova renovação anual da vida se faz sentir. Ao observar esses seres tão frágeis, tão felizes, com um piar tão agitado e suave, faz-me sentir uma calma e esperança profundas. Fiquei feliz.

NO STRESS pós-traumático

5 – Além da distância, um até breve

Já faz algum tempo que regressei, mas nestas coisas de viajar e saborear novos horizontes, há sempre algo que assimilamos de novo.
O reconforto da luminosidade, calor e vivências, valeu-me belos fotogramas de alta-resolução, gravados na minha memória, algo capaz de alimentar a caldeira das emoções por longos períodos de carência energética. A América do Sol vai permanecer um dos meus destinos favoritos, e vou guardar o seu carisma de terra onde o meu espirito pode chegar esvaziado e faminto e regressa sempre pleno e abundante.

O contacto com outras percepções de vida, relega toda aquela ansiedade de frustrações e sonhos futuros, tão típicas dos europeus para o seu devido lugar. Pode soar a falso, mas ambas as vezes que viajei à terra da Vera Cruz, senti-me mudado e rejuvenescido, quer em moral, quer em capacidade de encaixe face aos problemas que se colocam no nosso quotidiano. Muitas vezes sobrevalorizamos aspectos da vida que se tornam insignificantes, e menosprezamos facetas essenciais da nossa curta existência. Essa miopia é curada quando bebemos estas experiências de desprendiamento numa terra linda e brilhante. A Vida deve ser desfrutada assim que nós é oferecida. Não é para usada e consumida na totalidade para construir e perseguir apenas momentos futuros que julgamos serem melhores.
Carpe diem!

Hoje que a distância geográfica e temporal acumulam-se e fazem essa barreira injusta, entre o meu corpo e o cálido mar salgado do Cumbuco, ao sabor do vento na jangada de mestre Pedro, não sinto uma saudade piegas de retornar, apenas acalento essa sensação de paixão consumada com a Vida. Um até breve a essa grande paixão.

Um dia como os outros

Estou absolutamente derreado hoje. Transpiro um cansaço quase absoluto, resultado das maluqueiras auto-inflingidas e pieguices constantes dos últimos dias e do calor que se faz sentir. Para contrariar isso só mesmo uma ida refrescante até ao meu retiro secreto, mas não muito. Depois dormir como se não houvesse amanhã…

O caneco que faltava na sala de trofeus do futebol português

Não é necessário fazer considerações sobre a alegria contagiante de ver uma final futebolística tão aguarda e sofrida. Dizer-se que o futebol “move multidões” e é uma “paixão nacional” é ser-se redutor.
O FCP transcende essa questão e vai mais além. Trata-se de uma identidade de humildade, esforço e perseverança. Daí que o seu carisma seja causa e efeito das gentes do norte, pessoas anónimas que se reúnem a volta de uma tribo muitas vezes repudiada e sempre que possível enxovalhada. Muitas vezes o futebol é um simples pretexto, um véu, para um bairrismo genuíno que não é explicável, nem sequer obedece a normas lógicas. Apenas é!

Acusado de ser um “clube regional” e outras balelas, típicas de quem tem dor de cotovelo e vive agarrado aos trofeus de passados longínquos e já esquecidos, o FCP mostrou que este é novamente o ano do Dragão, passados 16 anos. O FCP, como clube e equipa desportiva transcendeu este campeonato regional onde se chega ao cumulo de se dar destaque à luta pelo segundo lugar e mostrou que a vontade e o espirito de luta podem conquistar apenas vitórias. E de facto sempre vai ficar nos anais, como eu previra…

Este troféu teve um sabor especial: deleitei-me a ver as manifestações de júbilo espontâneas, as comemorações de um feito inédito. É indescritível sentir toda aquela gente simples, de todos os estratos sociais, idades e credos, sobressair de expansividade e mostrar o seu azul. Foi enternecedor sentir uma identidade tribalista, uma comunhão partilhada de grupo tão forte e genuína.

Para meu espanto I. alinhou minimamente em ir aos festejos comigo, já que todos os meus compinchas azuis e brancos foram assistir in loco a essa grande proeza. O calor e a festa, o azul e as buzinas tornaram a noite num frenesim mágico. Apesar de cansado creio que estas próximas semanas me reservam novas cambalhotas e reviravoltas na minha existência cinza florescente.

Percorro teu corpo

Queimo meus lábios
Sinto-te
Choro teu perfume
Percorro teu corpo

Canto teu suspiro
Ouço-te
Vejo a tua nudez
Percorro teu corpo
Admiro tua beleza
Beijo-te
Penetro teu sexo
Percorro o teu corpo
Embebedo meu olfacto
Olho-te
Saboreio tua pele
Percorro teu corpo
Tomo-te
Febril
Trémulo
Demente
Ávido
Percorro teu corpo
Devoro teu corpo
Alimentas minha paixão faminta
Confusa de desejo
Sem ordem nem descanso
Esse Amor que me dá Vida

AllezZ!!!Allez!!!

Possivelmente esta será uma das noites mais felizes dos últimos anos, ou uma das mais tristes. Não sou propriamente um adepto fanático do desporto Rei, mas como qualquer cidadão que se preze da minha cidade, um evento destes motiva até quase ao fanatismo qualquer um. A alegria contagiante com que a Invicta se uniu em volta do Glorioso, numa epóca que provavelmente vai ficar na história a letras de ouro e que todos os portistas devem recordar.

Ontem despedi-me do Inspector P., que junto com o Q. e R. seguiam de madrugada até a tórrida Sevilha cheios de emoção, ao passo que N. já devia estar a chegar perto da terra Beirã da qual alguns dos meus genes são oriundos. Fiquei entristecido, com esse sabor amargo, por não ter encontrado um bilhete, essa chave mágica para uma alegria imensa ou para uma desilusão que se quererá esquecer o quanto antes. Enquanto o Ibiza alugado já debitava o CD dos Super Dragões, completamente artilhado de cachecóis do FCP e da Nação, dei um abraço sentido ao Inspector P. e Q. . Estava mesmo com saudades deles e senti que tinha perdido uma viagem. Mas isso não interessa. Haverão mais e maiores viagens!

Melhor será a festa se uma taça for exibida pelos azuis e brancos. Será a euforia contagiante e estarei lá no meio de todos aqueles cromos verdadeiramente raros saídos sabe-se lá onde que se amontoam nas praças da Invicta. Será maravilhoso e para compensar todas as pequenas ausências e anemias emocionais dos últimos dias de ressaca pós Sol. Caso contrário mais vale ir dormir cedo. Mas isso é o pessimismo crónico. Será histórico.

A namorada eu deixei
A namorada eu deixei…
E o trabalho abandonei
Para te dizer
Que até morrer
Que até morrer Porto te amarei!
Allezz allez…
Cântico dos SD

club kitten @ LUX – – a minha segunda expedição

Pois é!
Muita poeira ainda está por assentar, as asneiras ainda de refletem, as pieguices ainda me perseguem, encontros, desencontros, dúvidas e destinos, mas ao menos já sinto que posso vir a voar.

Felizmente no dia 30 estarei de novo no LUX para assistir ao desfilar de mais uma noite mágica de excessos e prazeres musicais para lá do que uma alma consegue resistir. Nada como uma festa como o Club Kitten @ LUX para descarrilar sem freios.
Irei com N. esse fiel companheiro de desgraças, e vamos encontrar S. e C. que regressarão de férias. Isso antevê algumas confusões e esquemas a permeio que vão tirar alguma da piada. Dissabores ou seduções? Resta-me procurar diagnoticar em mim uma comatose ou sanidade sóbria nesse percurso para sobreviver a essa pequena tortura. Tudo depende.
Afinal de contas é o meu DJ Kitten e eu falhei o mês passado: NO STRESS que esta vida são três dias.

NO STRESS pós-traumático 4 –

4 – Breve consideração sobre peregrinações

Hoje acredito cada vez mais na necessidade da nossa cultura ocidental ter alguma forma de escape. Uma das mais em voga nas últimas décadas traduz-se no chamado Turismo, no viajar para destinos longínquos onde a grande maioria dos locais que possam parecer familiares, pura e simplesmente não existem.

Talvez a nossa rotina não seja assim tão infernal, nem o nosso lugarejo seja assim tão desinteressante.
Contudo lá longe (seja lá onde for desde que seja muito longe) existe o Efeito Peregrinação, uma diaspora, onde os nossos laços e raízes são decepados temporariamente, e toda a nossa existência se pode resumir a preocupações perfeitamente mundanas, ao estilo de “onde se vai jantar hoje”, ou “amanha podíamos ir visitar aquilo”. Gostos, cheiros, odores e cores novas violam o nosso cérebro, e turbinam a mente para um estado de consciência alterado, onde o tempo não tem que ser contado ao minuto, nem existe o perigo de sermos triturados pelas máquinas centrípetas da vida nas grandes cidades. Coexistimos e tentamos sobreviver na urbe, numa sociedade de formigueiros de Q.I. elaborados, onde subsiste a ilusão que a nossa individualidade é superior às directivas comportamentais da colónia “humana”. Mas em peregrinação, a urbe está distante e a formiguinha volta a ser um ser com capacidade decisória e em total independência em relação à ditadura do formigueiro.

Mas ao lado dessa perfeita inutilidade e futilidade das férias, o efeito peregrinação dá-nos um entendimento muitas vezes não consciente de que a nossa vida poderia ser muito diferente sem grande esforço. Como se numa viagem tomássemos finalmente conhecimento de que seriamos capazes de mudar e ser algo ou alguém distinto, enfrentando com prazer e sucesso uma aventura completamente desigual, um novo desafio para o qual não estávamos preparados, mas que podemos finalizar com toda a satizfação e resultados brilhantes. Como se fossemos um actor e nos dessem um papel completamente diferente para a mão, e a peça com data de estreia para hoje a noite. O interessante é que provavelmente seria a nossa melhor interpretação de sempre, com direito a ovação de pé de um público rendido ao nosso génio.
Mudar de papel na peça da vida, ou levar a cabo um jornada que nos ilumina de certa forma, não é totalmente imperioso para que sejamos mais felizes, mas pelo menos ajuda.

um blog como os outros

Estou algo envergonhado. Parece que a minha pacata vivência de blogueiro inveterado está a chamar a atenção e os elogios de alguns internautautas atentos. Acho que isso é óptimo para a minha auto-estima, mas deixa uma série de pontos de interrogação sobre a minha simplória motivação de escrever um weblog sobre a minha vida quase banal. Partilho ou exponho-me? Acho antes que desabafo.

in JornalismoPortoNet

Impressões mesmo digitais

O universo dos bolgs introduz-nos numa nova dimensão internáutica. Cada um de nós pode agora erguer a sua voz activa e marcar as suas impressões de uma forma digital, no verdadeiro sentido da palavra.
As formas mais puras e directas de expressão pessoal encontram-se sob a forma de diários que os internautas partilham com toda a comunidade digital. No diário de um meliante encontramos um dos melhores exemplos de percepções pessoais compartilhadas, atraindo de forma peculiar e sedutora mesmo o mais distraído dos navegadores. Ora espreitem lá…

O diário de um meliante, assinado por um auto-intitulado psicótico, descreve mais as divagações intelectuais do dito cujo, que propriamente os acontecimentos quotidianos que não suscitariam interesse, pois poderiam ser encontrados na vida do mais comum dos mortais. No entanto, estas reflexões são baseadas em vivências inspiradoras e, por isso, contêm uma expressividade sensorial notoriamente poética.
Trocando por miúdos, nos acontecimentos mais recentes o autor de tais escritos viajou ao país do sol – o Brasil da praia, paz e pagode. Lá encontrou não só um refúgio fisicamente paradisíaco, como também, e principalmente, uma evasão espiritual que lhe despertou os sentidos. Esta viagem à América do sol concedeu-lhe uma terapia interior que o rejuvenesceu.
Este blog contém também os já clássicos dados do seu autor, arquivos de acontecimentos passados e links para outros sites e blogs.
Mas o curioso neste diário é a bela forma como está escrito. Sobressai entre muitos outros que se limitam a uns rabiscos sem conteúdo que apenas satisfazem a mera afirmação pessoal do seu autor.

Mariana Mota

Publicado por turma001 a 16 maio, 2003 12:25

Obrigado Mariana

NO STRESS pós-traumático 3 –

NO STRESS pós-traumático

3 – Como contabilizar caipirinhas e outros conselhos úteis

Não se devem estabelecer regras quando queremos fugir à rotina. Essa fuga, é para mim extremamente valiosa, pois no intimo do meu ser, sou um perfeito anarquista praticante no degredo capaz de explodir com qualquer ordem imposta.

Desta vez a promessa de explodir com os últimos neurónios ainda capazes de algum pensamento minimamente articulado foi concretizada.
N. e Dr.P. esses fantásticos companheiros de armas encarregaram-se de liderar as hostes revezando-se no comando de operações que eu também capitanei, se bem que de forma não tão frequente.
Devo dizer com franqueza que não poderia desejar melhores companheiros de armas para estas andanças, não só de desfalecimento mental, como também de férias retemperantes.

Foram muitas horas de diversão, muitos jantares que ficam nos anais da história universal gastronómica, muitas caipirinhas, mulatas, etc…

Para calcular o consumo per capita de caipirinhas (ou caipivodkas) tivemos sérias dificuldades.

N. ultrapassou as 100, e a partir daí as contas ficaram mais complicadas. Até esse ponto elaboramos uma base cientifica de calculo:

  • consumo mínimo Jantar – 2 (variável até 5)
  • Resto da noite base média 2
  • Se estiver com uma queimadela solar subtraia 1
  • Dores de garganta, gastroentrite, ou voo no dia seguinte subtraia 3
  • Se houver factor «Oi!» acrescente 3
  • Se na entrada do Club pedirem seu número telefone acrescente 2 (caso consiga dizer meia em vez de 6 subtraia 1)
  • Caso o clube esteja cheio de mais e se alguém conhecido subornou o Barmen acrescente 4
  • Se teve coragem de subornar o Barmen some 2
  • Se está a chover subtraia 2
  • Se esteve a chover todo o dia acrescente 3

Com esta base cientifica atingimos uma média ponderada conjunta per capita de 6.11111 caipirinhas/caipivodkas por noite.

Mas fora estes exageros, que abracei num grito de cisne consciente, nada como um confortável alheiamento e euforia de amizade genuína, sob um cenário de antro do paraíso. Nada de planificações, reservas de hotel, roteiros turisticos.

«-Onde vamos amanhã?», «-Se conseguirmos voo, que tal Salvador?», «-Oi!», «TAM, VASP. VARIG ou GOL?», «-A que pare em menos apeadeiros!» , «-Oi!».

Assim as coisas têm mais graça, mais aventura, adrenalina. Obriga a mente a despertar e estar alerta e a saber horientar-se num território novo e talvez hostil. Mas é isso que nos faz sentir Vivos.

N. praticamente cresceu e se fez homem ao meu lado, conhecendo-o eu há mais de 15 anos, numa amizade que sempre valeu nos bons e maus momentos. Dr.P é compincha de há 8 anos de noites desregradas. Nada como um par de amigos full flavour para tornar as coisas hilariantes e potentes. Nada de lights.
Não vale a pena fazer umas férias assim sem levar um de cada… Antes esquecer a escova de dentes!

NO STRESS pós-traumático 2 –

NO STRESS pós-traumático

2 – Realidade redescoberta

Umas boas férias reflectem-se não no tempo em que estivemos ausentes, mas sim nas mudanças que encontramos quando chegamos. Quando digo mudanças não me refiro só ao que se passou na nossa ausência, mas também na forma como encaramos aqueles pequenos pormenores, que dantes podiam passar completamente despercebidos ou originarem grandes dores de cabeça.

Os nossos sentidos estão carentes, sôfregos, alertas, depois de vários dias de estímulos contínuos e não se deixam iludir por situações repetidas. É como um jogo de descubra 10 diferenças, que dantes passaria ao lado e agora a vista vai certeira a todas as pequenas modificações. É esse contexto que me ajuda a recuperar de uma peregrinação inesquecível: recuperar uma realidade que deixamos esquecida, cinzenta de estar tão desgastada e que de repente está de novo com cores garridas.

A redescoberta do nosso quotidiano, o retornar aos locais comuns pode ser feita com prazer, saboreando e usando uma nova perspectiva de uma grande angular que nos permite uma visão nova da nossa parca rotina e reduzido território.

Por isso quero ser um peregrino eterno, para me descobrir, e para redescobrir tudo e todos os que me rodeiam.

NO STRESS pós-traumático 1 –

1 – America do Sol

Não foi a primeira vez no Brasil e com certeza também não será a última. A verdade é que necessitava assim de umas férias que me permitissem um alheamento total a todos os pequenos e grandes problemas do nosso quotidiano. E estas férias foram isso mesmo: o afastamento físico e mental de todas essas pieguices, para poder ter uma visão mais panorâmica do que tenho em mãos.

A vida é para ser vivida“, “aproveita o momento” e todos esses chavões, lá na América do Sol ganham todo o seu significado e recordam-me do quando e importante aproveitar cada momento em que o nosso coração ainda pulsa. Essa urgência sem ansiedade e importância de viver só pode ser plenamente entendida a quem testemunhou um pôr-do-sol numa praia perdida, ou sentiu a imensidão de um sertão, ou quando se bóia num mar quente e super salgado durante um hora, alturas quando apenas se sente o Criador e um calor aquece o espirito.

Claro que não há só maravilhas. Há o desespero da fome, mesmo ali ao lado da mais sumptuosa riqueza e abundância; o crime violento bota-chumbo-nele mesmo ali ao lado da mais humilde e honesta comunidade; a prostituição bem na esquina de duas igrejas protestantes apinhadas de gente. São estes contrastes que nos dão a mais forte chapada de realidade, que nos remetem para um novo horizonte de pensamento mais pragmático e menos ocidentalizoido-europeu sobre o bem-estar e a moral.
Talvez a pobreza não seja só fonte de desespero, nem a riqueza fonte de alegria. É certo que o anúncio televisivo do 1 de Maio fosse cruel e repugnante por mostrar as enormes desigualdades sociais no Brasil:

“Marcelo consegue apanhar 40 figos num minuto. Para conseguir comprar esses mesmos 40 figos, Marcelo terá de trabalhar 8 horas.”

Contudo vi mais sorrisos, simpatia, carisma e alegria de viver nas gentes mais humildes, do que naqueles bem de vida. É inesquecível sentir as gentes de um lugarejo perdido e a sua filosofia de vida simples e honesta, sem nada a esconder, sem reservas. A frontalidade e esperança com que encaravam a vida era mesmo motivante, e a sua coragem e positivismo embriagantes. Nas grandes cidades, já há mais uma lei da selva, um clima de competição que não combina com o resto, mas que mesmo assim pode ter o ar da sua graça, em particular no Nordeste.

Ainda embebido neste espírito, que por incrível que pareça, nada diferente do que eu trouxe à uns seis anos atrás. Sair do jacto após tantas horas e desaguar num Rio a amanhecer é indiscritível. Mais ainda é sentir logo no ar não só o calor térmico, mas algo mais que não se pode traduzir em palavras: o espírito da América do Sol, da terra da Vera Cruz. E isso não aparece em fotografias…

telex


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Gol, Aero Club,
Rock in Rio,
Itapuã, Pelourinho,
Dona Chika-ka,
Costa dos Coqueiros
Praia de Arembepe,
Baianas, Capirinha de maracuja,
Yemanjá,
Moqueca de camarão,
Café Cancún, Jet Set, Helena,
Praia de Guarajuba, altar de Iemanjá,
Mar quente, mar frio,
Sol gostoso
Paz
GIG, Vasp
MAD, Iberia