Agosto, 2003

29
Ago 03

A borboleta e a luz

juntas

Recordo um texto de um manual escolar. Era ainda criança e o texto apesar de simples motivava alguma subjectividade poética em crescimento.O texto falava na noite escura e da borboleta que encontrou um luz forte irresistível, longínqua e tentadora.

A luz brincava e dançava, hipnótica chama pela borboleta que esvoaçou ao seu encontro, levada pela beleza da luminosidade no meio da escuridão. A borboleta estava confusa pois nunca tinha visto nada de tão belo na sua efémera vida e num impulso seguiu aquilo que de mais belo vislumbrava no negro da noite.

Aproximou-se rapidamente num voo gracioso e à medida que se aproximava, rodopiava feliz, pois aquele branco amarelado subia de intensidade, apagando os resquícios de sobras e de negritude que imperavam na noite. Cada vez mais a luz da chama brilhava mais intensamente e o seu calor fazia-se sentir terno e acolhedor rompendo com o frio nocturno.

A borboleta feliz e ofuscada, já extasiada, não podia deixar de voar em direcção àquela sensação que a enchia de prazer, deslumbrada pelo brilho cintilante e pelo calor que emanava a chama.

O texto terminava, não me recordo concretamente como. Talvez a borboleta queimasse suas delicadas asas nas chamas da vela, talvez louca insistisse em embater no vidro do candeeiro num frenesim de demência. Prefiro pensar que a bolboleta mergulhasse na luz, embebida em prazer, abraçada pelo branco e o calor que emanaria também. A borboleta tornar-se-ia também essa luz, essa chama que a atraiu tanto.


28
Ago 03

Marte

a visão do Hubble sobre Marte

Marte é o arauto da revoluções, ele evidencia a força e a energia possantes e quase inesgotáveis mas sem a cadência positiva de algo construtivo. Marte, tal como na mitologia latina, é o deus da Guerra, fulgurante e impiedoso com seus inimigos num campo de batalha, capaz de um enorme poder.
Infelizmente o seu poder e energia nem sempre são equilibrados, caindo muitas vezes na cegueira e na ansiedade para obter os despejos da batalha. E uma força enorme mas nem sempre lúcida.
Transpiro, cansado mas batalhador. Talvez seja influência de Marte.


27
Ago 03

Um bilhete para Goa

Pôr do Sol sobre a igreija de Aldona, Goa

Há já algum tempo que tenho vindo a aproximar-me de uma filosofia oriental, perscrutando o intimo e o espiritual, pressentido mudanças no meu ser e na minha maneira de ser.

Cada vez mais estou atraído pela ideia de ir até ao sub-continente indiano para sentir na pele alguma sensação de espírito mais elevada e menos retorcida pela realidade quotidiana ocidental, no enorme corre-corre instantâneo. Acho que a minha caminhada infrutífera durante muitos anos, da ilusão da vida de deitar foguetes festivos, Life is a cabare, está defenitivamente enterrada e esta num rumo de crescimento emocional e humano.

Depois de rever a América do Sol necessito de dar outro passo, talvez mais brando e profundo para despertar, em mim, a plenitude de um desprendimento maior dos vícios e preconceitos que mancham a nossa existência. Quero abrir ainda mais os meus horizontes, ir até um local da nossa consciência que está velado e adormecido mas apenas deseja ser despertado.
Para não ser demasiado brutal e chocante esta diferença cultural e de valores, antevejo a aportuguesada Goa como destino mais simples para um ocidental não ficar catatónico e sentir toda a força bruta do embate frontal num cérebro ainda acomodado.

Resta-me agora contar os cêntimos, poupando aqui e ali e esperar que as minhas finanças tenham estamina para esta expedição extremamente cara. Falta-me um bilhete para Goa.


26
Ago 03

O gato dorme

como um gato adormecido

26
Ago 03

snapshot I

Sonolento e feliz …

25
Ago 03

captando o momento

tentando  captar o momento

25
Ago 03

Olha o passarinho

Estou a reaprender um hábito perdido. Comprei uma máquina fotográfica digital, para compensar o extravio da minha máquina compacta no Aeroporto de Madrid em Abril. O artificio de captar um momento, um sorriso, uma pequena visão ou promenor do espaço físico tem para mim um intenso fascínio.

A fotográfica imortaliza um momento, uma sensação ou uma emoção visual que não se pode transmitir por palavras devido à sua perfeição. As palavras e as frases são imperfeitas para descreverem conceitos ou sensações tão elevados ou circunstanciais que se perde a essência em rodeios linguísticos na tentativa de alcançar o que não é alcançável. Por isso, e apesar de ter sido sempre um fotografo de meia-tigela, tive sempre o gosto de disparar aquela captação do eterno.

Eu nunca gostei dos meus retratos fotográficos. Não sou daquelas criaturas fotogénicas que sabem embelezar-se perante o momento que vai ficar suspenso no tempo graças a uma fotografia. Fico sempre com um ar artificial em que não me revejo, como se a minha essência não tenha tradução visual, ou a minha alma tenha uma irreverente repulsa por ser roubada pelo fotógrafo. Desde pequeno que fujo às fotos como o demónio da cruz, só consentindo tal coisa quando me é impossível dizer “não”.

Espero em breve ser capaz de me adaptar à teoria que envolve a fotografia sem filme, com um manual que nunca mais acaba da Nikon Coolpix 4300, para conseguir captar algumas imagens decentes e guarda-las não só na retina na mente, mas também na memória do computador e no papel.


22
Ago 03

foto de um senhor cansado

cansado

22
Ago 03

A vida com pavio curto

Apesar de todas as mudanças e metamorfoses que me tenho obrigado, algo não consigo alterar: a minha incapacidade de descanso propriamente dito. Ultimamente só paro quando os meus ossos já não se movem nas articulações ferrugenta e os músculos estão tão tensos que tremem.

Não sei se este meu ardor é permanente, mas o desgaste é preocupante. Mesmo durante férias sou incapaz de dormir mais de umas seis horitas, só passando esse valor quando tenho vários dias acumulados sem esse valor mínimo. Apesar de cansado, exausto mentalmente a minha mente fervilha, mesmo que desatenta. Estou permanentemente a Leste.

Não é um stress crónico, muito pelo contrário é um estado de vigília, do prazer de existir consciente, mesmo que as barreiras mentais e físicas já se tenham quebrado. Dou por mim só a adormecer apenas quando a hora tardia não me garante nenhum descanso susbtancial e já estou tonto de cansasso.
Acumulando todas essas horas infindáveis, de desgaste emocional e profissional, carrego às costas milhares de horas que deveria ter dormido. Tenho sono e estou cansado. Mas a vida tem pavio curto e por isso há a velha máxima:

descansarás quando estiveres morto.


21
Ago 03

Festival

Tinha decidido já há algum tempo ir a um festival de Verão e o de Paredes de Coura pareceu-me o mais apelativo. O problema que se colocava era o facto do dia mais interessante era a terça-feira à noite, algo terrivelmente incompatível para quem tem o seu ganha-pão de picar ponto.

Fiquei indeciso um par de semanas, mas finalmente decidi-me a ir. A medo tirei à última da hora um dia de férias graças a um bom relacionamento com o patrão. Eu e N. já havíamos sonhado um par de vezes com esse devaneio, proporcionou-se a ida com S. e um agradável Lisboeta que infelizmente não podia estar sujeito a muitos decibéis por motivos crónicos. Feitos à estrada voamos rumo ao norte, comigo o volante. Após um jantar simpático, eis nos a cair no recinto que eu não conhecia.

Chegamos tarde e P.J. Harvey fez com que apaixonasse ainda mais pela sua música. Inenterruptamente as suas músicas desprendiam-se superiores na actuação ao vivo impressionantemente supeiores a qualquer gravação com pós-produções. A verdadeira diva! Depois Placebo foi também bastante bom, embora só brilhassem verdadeiramente no final, em especial com o tema derradeiro e apoteótico “Were´s my Mind” muito fiel ao original dos Pixies.

O dia de descanso que se seguiu foi demasiadamente breve e fugidio, estendido na praia, e assediado pela presença da afável amiga colorida de outros tempos. Já não há cores, e é sempre bom rever amigos, mesmo que assediado em correntes simultâneas. Estive também com B. e Inspector P. Gostava de saber a que entidade divina devo agradecer por ter amizades duradouras que apesar de longos interregnos forçados se revitalizam tão fortes.


20
Ago 03

Where is my mind

Ooooooh – stop

With your feet in the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse
But there’s nothing in it
And you’ll ask yourself

Where is my mind
Where is my mind
Where is my mind
Way out in the water
See it swimmin’

I was swimmin’ in the Carribean
Animals were hiding behind the rock
Except the little fish
But they told me, he swears
Tryin’ to talk to me to me to me

Where is my mind
Where is my mind
Where is my mind
Way out in the water
See it swimmin’ ?

With your feet in the air and your head on the ground
Try this trick and spin it, yeah
Your head will collapse
If there’s nothing in it
And you’ll ask yourself

Where is my mind
Where is my mind
Where is my mind
Ooooh
With your feet in the air and your head on the ground
Ooooh
Try this trick and spin it, yeah
Ooooh
Ooooh

Where is my mind – SURFER ROSA – Pixies

20
Ago 03

etc

Um micro-dia de férias para recuperar do Paredes de Coura, polvilhado a praia, ida ao banco e ao barbeiro.
E agora sem Net.