Psicótico


Diário de um meliante

22 de Julho de 2004

Três anos

Três anos é um longo tempo para manter um diário online. É uma questão de paciência, perseverança ou será uma questão de teimosia ou mera estupidez?
Quando escrevo sinto que os contornos e as motivações mudaram, assim como o meu corpo e espirito mudaram. Envelheceram e amadureceram. Melhoraram de certa forma, num upgrade que a vida oferece â medida que os anos correm no calendário.
Hoje muitos dos dados adquiridos do período em que estava na grande cidade se tornaram obsoletos e nada me impele a escrever para um grupo de amigos, como dantes o fazia, numa espécie de jornal de parede comunitário onde colocava os meus papeis.

Hoje essa faceta de grafitti de pensamentos, extinguiu-se com um novo despertar, para voos mais elevados, para vivências mais reais. Mas o mais importante foi também, ter tido graças a este espaço, a hipotese de me reencontrar e ver que existia toda uma nova dimensão não programada que em última analise, tranforma a pouco e pouco num novo ser, com uma nova vivência com V graúdo. Foi como se o diário de um meliante me libertasse e me mostrasse um destino que não antecipei e a pouco e pouco me desse aquilo que não tinha sequer atrevido almejar.

Hoje sei que só mantenho este espaço porque é uma espécie de casulo abandonado mas apreciado, que me deixa, decerto recordações de um passado fastidioso, mas também das mudanças que me atraíram para uma subida de divisão, com direito a taça e tudo do desporto que é a Vida.

Talvez o abandone em breve, talvez o reanime de uma comatose intermitente, talvez simplesmente o esqueça parado no tempo, como uma caixa de espelhos feita capsula do tempo.

Mesmo assim parabéns!


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20 de Julho de 2004

35 anos depois de pisar a Lua

pisando o solo lunar pela primeira vez

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19 de Julho de 2004

sobre a dor

A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

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12 de Julho de 2004

Poema 15

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
Déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

Pablo Neruda

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8 de Julho de 2004

A bala

tiro em cheio
Harold Edgerton’s .30 Bullet Piercing an Apple, 1964

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7 de Julho de 2004

latim - v

nil desperandum


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6 de Julho de 2004

Solução politica do Zé Portuga

Incelência
Andando Bossa Incelência numa canseira a óscultar personages para escolher um 1º menistro, que não seja um pulha - o que é deficel nos tempos que correm - é com grande alegria minha que benho dezer-lhe que tenho uma solussão que dará grande satisfaçom a todos:
Pois bem, ponha lá o Secolari e seremos os maiores!

  1. Olhe com ele descubrimos que temos muito órgulho em sermos portugueses - dantes a malta inté baixava a boz e olháva à bolta a ver se ninguém óbia e ólhe que isto tanto era aí como na estranja!
  2. A malta já sabe qual é a nossa bandeira, e dá jeito porque a malta põe-anos prédios e tápa-se as rachas das paredes e a tinta já a precisar de uma demão, ó então a malta embrulha-se nela e escusa de mudar de roupa, nem se bêem as nódoas nem nada
  3. O hómem pos-nos todos a cantar, a gente que inté erámos pró triste, já sabemos o hino de cór,
  4. A malta agora é muito unida e já não anda a pôr ao léu as
    misérias uns dos outros,
  5. O hómem consegue pôr 11 homens a trabalhar e a correr o que é óbra, olhe que não me lembro de nenhum 1º menistro conseguir isso com os menistros. A gente não se importa dele ser brasileiro, porque a malta até o percebe, e antes brasileiro do que f. d. p. como esses que andam aí.

Bossa Incelência escusa de me agradecer e dezer que a ideia foi minha, o que eu quero é o bem pró país.

Já agora, dê aí um bacalhau ao Zé Manel, e diga-lhe que a malta o cumprende,a malta também tebe de emigrar, prá arranjar uma bidinha melhor, isto cada um sabe de si.

Zé Portuga


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5 de Julho de 2004

Rumo à excelência

Na ressaca futebolística, de um pequeno amargo, que contudo não foi um grande drama coloco-me perante a existência de uma patriotismo capaz de ainda salvar o país. Será que existe de facto um factor de agrupamento na mentalidade de ser português que possa vir ao de cima quando necessário for? Será que é esse o doce que tanto necessitamos?

Sem considerações ao estilo pessimista velhos de Restelo, que a sociedade portuguesa mergulhou na última década, talvez seja possível também evitar o optimismo eufórico estilo adepto do Benfica que banha as nossas banais multidões.

Se conjugássemos estes dois factores, moral de vencer com humildade será com certeza possível que Portugal suba à tona de água e deixe o mergulho no pantanal de frustrações económicas e sociais em que se tem envolvido.

Para ser franco fiquei frustrado pela Selecção ter sido derrotada pelos defensivos gregos. Mas o que interessa é que realmente quer Portugal, quer a Grécia mereceram ganhar pois foram humildes e tentaram dar o seu melhor sempre. É neste desenrolar de ideias que não estou mais desconsolado e muito pelo contrário, sinto que algo de muito positivo surgiu no Domingo à noite: os portugueses apesar de derrotados, festejaram uma vitória - de ter chegado tão longe no campeonato europeu de futebol, e da organização do Euro 2004 ter tido êxito.

Vencer é importante, mas mais importante é tentar vencer com convicção e excelência e mostrando a capacidade de tentar os seus objectivos. E isso é valido, quer no futebol, quer no mundo empresarial, quer politico. Mentalizar-se que é na excelência que está o ganhar.


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