A reabertura dos tempos de lazer foi no mínimo interessante. O facto de me ter dedicado pela segunda vez na minha vida ao desporto radical do campismo, e na companhia do veteraníssimo mestre, tornaram uns dias que seriam à priori de dolce fare niente de pasmaceira numa inestimável experiência e tempo de lazer pacato.
Tomar rumo ao sul sem chegar a latitudes pavorosas, montar o barraco e comprar a múmia que me havia esquecido de trazer fizeram-me bem, e apesar do tempo estar pavoroso para radicais, foi um quality time de cavaqueira, VTES, companheirismo, formigas e dormir no chão.
Em última análise foi importante mudar de ares, estar longe de um volante visitar locais quase de forma aleatória sem preocupações de tempo ou espaço, apenas me deixando relaxar com a amizade e a Nikon para saborear a passagem das horas. Nos longos diálogos as conversas intransigentes e inteligentes deambularam desde o sentido da vida, ao cortar nas casacas e a inocência perdida que reina no campo de batalha dos trintões, e como não podia deixar de ser - na história universal. Uma salada de fruta intelectual que me levou a ter sestas ou quase-sestas. Assim a espera foi brilhante e não custou tanto no início. É bom ter alguém com quem contar.
Como vestindo a mais inexpugnável das couraças, sinto-me protegido de todas as adversidades. Nunca me senti tão protegido do desalento ou da inépcia, do quebrar do espírito. A energia brota do âmago com intensidade e disponibilidade imensa.
Tudo porque o coração pulsa cheio de lufadas de sangue de esperança, repleto de carinho e ternura. No calor deste estio antecipado, dou-te a mão, num novo caminho, que se palmilha rápido e certo. Como se há muito estivesse mapeado na consciência um trilho triunfal, rumo a uma certeza.
Quente e vibrante, perco-me num mar em que a ausência se torna impensável, e em que o suspiro é uma constante. São dias perfeitos.