A pequena fuga

Foi um fim de semana algo diferente em que eu alternei entre a introspecção e a total futilidade superficial. Por vezes temos que nos dar esse direito de nos alienarmos como muito bem entendamos.

O clima prega-nos muitas vezes partidas e faz-nos sentir demasiadamente miudinhos, face às forças naturais. Tinha planeado um fim-de-semana para voar, mas as “condições climatéricas” não eram as ideais para façanhas que envolvem alguns riscos ligados com a geografia e clima. Por isso não fui um anjo sem asas, apesar de necessitar urgentemente de me escapar para as altitudes.

Exactamente pela minha necessidade de um grande fuga, de uma cândida alienação, acabei por fazer uma caminhada menos benéfica para a minha saúde, assim como para a minha carteira. Mergulhei num cenário de total degradação noctívaga, com direito a fazer duas das noites mais extravagantes desde que me conheço, e estamos a falar de quem já cometeu uma considerável série de atentados à moral e pudor, sendo procurado, vivo ou morto pela Brigada dos Bons Costumes. Isto de percorrer as três capelinhas é criminoso!

Mas nesta descompressão emocional, tão necessária, também interiorizei que os contra-sensos da minha vida terão aumentado nos últimos anos. Não é um facto novo que o desprendimento afectivo e emocional aumentam, a medida que vamos conhecendo mais pessoas.
Fazendo às contas, a quantidade de seres humanos que se cruzaram na minha intimidade, cresceu exponencialmente, fruto de algum apetência de sedução, alguma necessidade inata de convívio ou afins. Mas isso não me ofereceu o seu propósito, mas sim tem cavado algumas fronteiras de solidão a que ciclicamente não consigo fugir. É como se a quantidade reduzisse drasticamente a qualidade, e pior me fizesse criar alguma sofreguidão a lidar com as mais variadas situações.
Espero que esta sensação seja meramente passageira, pois é desconfortável estar a sentir-me só, quando estou rodeado e acompanhado por uma multidão. Esta falta de lógica e luz, têm que ser passageiras.

Resta-me fazer um bocado das tripas, coração, e rezar que esta postura Titanic não meta nenhum Iceberg.