Antes que me esqueça I

Muitas regalias, mordomias, encantos e festas tiveram e vivi nos últimos meses. Tantos episódios que ficaram por relatar e que mereciam fazer parte das memórias escritas. Por isso início uma pequena série não cronológica e muito imprecisa de memórias mais ou menos esbatidas do trimestre. Alguns momentos foram obviamente censurados por pudor.

Compras natalícias, micro férias e até momentos de deleite, tudo foi tão diferente neste solstício. Foi mais fraterno e alegre e se não fossem os desgostos familiares tudo teria sido como que perfeito. Contudo a doença e a velhice não escolhem época para revelarem os seus inexoráveis pesos de chumbo. Mas na pesagem que temos que fazer a cada instante da nossa vida pude ver um equilíbrio, um balanço no cômputo de vivências… Desde a alegria de dar e partilhar algo com alguém importante, ao conhecer e sentir-se bem-vindo no seio de outras consoadas, houve realmente um cheiro genuíno a Natal como já não conhecia desde criança. E é disso que eu me quero recordar.

É importante perceber o decurso e a cronologia da vida. Nada como uma série de novos nascimentos, para me lembrar a forma como o tempo passa cada vez mais célere. Faz uns bons anos e relatava com prazer o sucesso a ferros do aparecimento do primeiro rebento do inspector P. e eis que um segundo rebento, desta vez varão começa a sua existência. Além dos nascimentos recebi uma grande perda, verdadeiramente irreparável. Há muito que estava anunciada, mas nunca se interioriza a perca de uma presença constante de três décadas. Fica a saudade e a frase feita de que a vida é assim.

Fico a pensar que aconteceu entretanto, e de facto tanto sucedeu e eu pouco apresento para contar, além de umas quantas medalhas de lata ao peito… E com certeza tempo de trabalhar para a medalha de valor…

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