Casas e casos festivos

Fugindo ao calor escapei-me para a praia, tentando uma noite sossegada de sono na passada sexta-feira. Orfeu foi bastante antipático e presenteou-me com uma praga de mosquitos que me deixaram acordado uma boa parte da noite e madrugada. Desesperante sentir que naquele momento, eu de bom grado, prepararia uma solução final para todo o género de mosquitos sem o menor remorso.
Exausto adormeci apenas de manhã e acabei por perder umas horas de praia retemperadoras. Era dia de ir até Miguel Bombarda, encontrar-me com Ma., que já não via há muito e comprar uns CDs no sitio do costume.

Aproveitei e finalmente fui conhecer a Casa da Música. Fiquei quase que orgulhoso, com o edifício que de facto é inspirador e motivante no sentido de trazer à minha cidade alguns artistas musicais atraídos pela arquitectura. Espero que sirva de um polo cultural agregador, que tanto faz falta à cidade.

Era uma noite em que a garagem da Casa da Música ia acolher dois concertos, e claro está o Club Kitten num espectáculo denominado Electro-Clash. Contudo algum intelectualoide cretino decidiu trazer os míticos Coil e junta-los à festa. Lógico que 99% do público não vinha para aquele género de música e fiquei entediado naquela fornalha, que apesar do espaço magnifico se afigurou insuportável.

Estive com Pete e as doces arquitectas. J. aproveitou para me dar umas dicas sobre a arquitectura do local. Como prometido matamos saudades com um very-light, e foi caço com as calças na mão por Ma. que sempre teve um timming perfeito para aparecer nas alturas mais inconcebíveis. Creio que o meu Karma é mesmo terrível: ao menor pecadilho sou caçado!

Tinha prometido a mim proprio que Kitten Club nunca mais, mas houve uma certa redenção. Gostei do set musical, mas a enchente a que chegou a popularidade do fenómeno esmaga qualquer vontade. Contam-se pelos dedos de uma mão os originais do fenómeno, e assiste-se à passagem de bastantes adeptos das primeiras fases (agora mais reticentes como eu) e a um infindavel desfilar de pessoas-carneiros que vão para qualquer sitio onde existe a possibilidade de estar uma multidão-rebanho.

Depois, o brilhante sentido prático da organização dos portugueses, ao colocarem uma enorme fila para comprar fichas e ainda outra espera de pesadelo para a aquisição de qualquer coisa liquida naquela sauna, proporcionaram-me quase uma hora de espera para arranjar algo que se bebesse. Num ambiente irrespirável, apesar da música dançavel, era patente que não iria permanecer muito tempo. Por isso fugi com as graciosas arquitectas para um antro mais pasmaceiro, e teria de ser o talho. Acabamos em grande, Sol já alto, com tratamento VIP. Um Domingo ressacado era o meu castigo.

Ainda aborrecido pelo alarme de incêndio que me fez levantar da cama às duas da matina de segunda-feira, e que me roubou duas horas de precioso sono, preparo-me para mais um fabuloso destino: a noitada de S.João com um jantar preparado por J. seguido por um bailarico já habitual em Mira-Gaia. Espero estar com pernas para tanto…

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