A vida como é habito cria os seus hábitos. A vida corre fluída quando se está feliz e estável, no mundo familiar que criamos e amamos.
Mudando de cena e visitando um espaço noctívago que estávamos já desabituados, podemos assistir a um concerto brilhante e para o qual não compramos bilhetes e que assistimos numa sala de projecção mística, qual cena decadente do 2001 Odisseia no Espaço. E com o meu velho amigo Gin e a mais bela companhia do mundo.
Porém há sempre percalços e situações insólitas que servem de cenário colorido da paisagem permanente. Um particularmente estranho foi a minha querida pet ter decidido que era um gato para-quedista e pôs em pratica aquele desporto radical sem estar apetrechada com o respectivo equipamento felino. O resultado apavorante de ter um gato a cair do terceiro andar só pode ser ainda mais medonho se não se dá conta do voo e se procura o bicho sem muito sucesso. Felizmente, fora o lábio rachado e patas com almofadas estouradas não houve danos de maior a não ser uma conta calada do veterinário e um susto que nos deixou incrédulos de tão inusitado que foi.
Interessante foi uma palavra fraca para descrever a surpresa com que fui brindado num jantar de aniversário de um amigo que está sempre no coração: a medalhada jantou connosco, num momento e lugar completamente improvável.
Acho que a vida não obedece a estatísticas e probabilidades…
Rumando ao Sul do meu país pude observar numas férias de sonho, o quando o meu país é aprazível, terra de bons costumes e acolhedora. Não está patente o país dos telejornais, que todos os dias inundam o televisor com mensagens de sufoco criminoso e insegurança a cada passo, e apesar da crise das estatísticas nunca vi um parque automóvel digno do Qatar a passear-se nas auto-estradas. Algures no aparente das minhas férias e nas notícias sensacionalistas deve existir um Portugal mortiço, economicamente inviável, mas onde ainda não é terrível viver.
Mesmo gostando do meu país, e até do Sul as férias nestes pontos são agradáveis fora da época das festanças de Agosto, longe dos maranhais e multidões histéricas. Apenas num agradável clima ibérico sem as trupes, requisito essencial para existir o conceito férias – a fuga à azáfama e multidões urbanas apressadas. Isso ou a América do Sol. E as caipirinhas…
No sentido de tentar recuperar a forma e tentar eliminar uns quantos quilos tenho-me imposto um pequeno sacrifico de correr.
A corrida tem se tornado um vicio muito salutar e os poucos vou alcançando objectivos que há uns anos acharia impossíveis. Nas últimas semanas a visibilidade do horizonte e de superar as minhas capacidades tem operado milagres no meu peso e forma física.
Alias o que no inicio era um sacrifício está tornar-se numa necessidade de escape e compensação do stress diário, ouvindo as minhas músicas no meu Apple vermelho.
Foi a dar o meu ar de recém-maluquinho das corridas, que nos meus percurso nesse subúrbio envelhecido da minha cidade que me deparei que em Agosto a cidade quase que fecha portas. De facto as persianas estão fechadas por todo e no calor apenas se vê a fauna idosa. Nos parapeitos, nas janelas, nas soleiras das portas, os sócios do clube geriátrico, os veteranos da vida, permanecem estáticos no entardecer. Parecem existir às dúzias, abandonados pelo resto das suas famílias que os abandonou enquanto foi de férias - olham ausentes com ar de solidão, enquanto eu tento fazer mais um quilometro em menos de sete minutos.
Navegando em mares recorrentes, sem nenhuma água salgada na companhia das mulheres da minha vida, foi uma experiência nova e alegre. Muito me apraz pensar que sou um gajo afortunado e que o destino me foi muito favorável, na vida confortável que me reservou.
Com horários rígidos e responsabilidades diferentes a minha praia foi aproveitada a conta-gotas e o solário foi o solução recorrente. A calma e o descanso pautaram um gosto pela preguiça e pelo prazer de estar a viver um doce sonho.
Mas além do mar salgado, tive ainda tempo para desfrutar da urze raiana, das longas viagens entre as três fortalezas fronteiriças, por entre ondas de vales e montanhas. As cidadelas estavam lindas, bem cuidadas e remontavam a um presente orgulhoso do passado, agradável à vista e aos turistas.
Foi bom , terno e curto.
Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.
Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.
Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.
Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.
Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.
Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.
Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.
Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.