Psicótico


Diário de um meliante

16 de Abril de 2009

«poema»

Faz-se luz pelo processo
de eliminação de sombras
Ora as sombras existem
as sombras têm exaustiva vida própria
não dum e doutro lado da luz mas do próprio seio dela
intensamente amantes loucamente amadas
e espalham pelo chão braços de luz cinzenta
que se introduzem pelo bico nos olhos do homem

Por outro lado a sombra dita a luz
não ilumina realmente os objectos
os objectos vivem às escuras
numa perpétua aurora surrealista
com a qual não podemos contactar
senão como amantes
de olhos fechados
e lâmpadas nos dedos e na boca

Mário Cesariny


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12 de Novembro de 2008

Spooky

Once in a while I need a friend
So why won’t you let me recover
It’s just a moment in your life
But sometimes we divide each other

Maybe we could find a time
Eliminate what’s on your mind
We’d do everything we could
Our presence in the neighbourhood

We could break every rule
Anytime we wanted to
Don’t be afraid to live this way
Lets defend the things we say

I want to be up in the air
I could be anywhere
Tell me I’m wrong, at least till tomorrow
Set me free and I will follow

Maybe we could find a time
To elevate what’s on your mind
Recreate for me and you
A master plan just for two

We could break every rule
Anytime we wanted to
Don’t be afraid to live this way
Lets defend the things we say
Elevate what’s on your mind
Eliminate what’s on your mind

New Order

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29 de Outubro de 2008

Angela Adonica

Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.
Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.

Seu peito como um fogo de duas chamas
ardia em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.

Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas estendidas
e oculto fogo. Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.
(mais…)


Arquivado em: Letras e Poemas — Psicótico @ 12:55:23
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5 de Outubro de 2008

O que eu gosto

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe uma paladar,
Seria mais feliz um momento …
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva …

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja …

Alberto Caeiro

Arquivado em: Letras e Poemas — Psicótico @ 6:50:35
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11 de Setembro de 2008

I’m So Bored With The U. S. A.

Yankee soldier
He wanna shoot some skag
He met it in cambodia
But now he cant afford a bag

Yankee dollar talk
To the dictators of the world
In fact its giving orders
An they cant afford to miss a word

IM so bored with the u…s…a…
But what can I do?

Yankee detectives
Are always on the tv
cos killers in america
Work seven days a week

Never mind the stars and stripes
Lets print the watergate tapes
Ill salute the new wave
And I hope nobody escapes

IM so bored with the u…s…a…
But what can I do?

Move up starsky
For the c.i.a.
Suck on kojak
For the usa

The Clash

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7 de Junho de 2008

Fim de semana

Estirado na areia, a olhar o azul,
ainda me treme o parvalhão do corpo,
do que houve que fazer para ganhar o nosso,
do que houve que esburgar para limpar o osso,
do que houve que descer para alcançar o céu,
já não digo esse de Vossa Reverência,
mas este onde estou, de azul e areia,
para onde, aos milhares, nos abalançamos,
como quem, às pressas, o corpo semeia.

Alexandre O´Neill

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15 de Maio de 2007

V

Faço V de vitória, porque hoje eu sou rei
Ao lado da rainha com que sempre sonhei

in Dialectos de Ternura Da Weasel

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28 de Março de 2007

Feliz és minha?

Era tempo de sentir
Esse rescaldo de paixão
Num amor audaz e pleno
Cabal de fé e certeza
Fico sereno a sorrir

Abre-se o céu e o sentimento
Não chora mais o meu coração
Limpo-me do veneno
Passado de uma alma mártir
Bruscamente feliz

Sinto esse afecto
Dentro da contemplação
Esse Amor eterno.
Deixam-se as flores
As pétalas caem

E pergunto:
Feliz és minha?


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