Crise

Estar alheio aos grandes problemas da nossa civilização, ou apenas meramente com a sensação que o comboio vai em andamento e não é possível saltar, são as sensações que me ocorrem quando sou bombardeado com noticias sobre economia e sobre a politica.
Não creio que tenha existido um período histórico depois da Segunda Grande Guerra Mundial em que o dito Ocidente estivesse perante um colapso.

Mas talvez esta crise não seja meramente economicista, mas talvez também politica, e essencialmente cultural. O liberalismo de braço dado com o capitalismo selvagem, têm danificado a sociedade ocidental, a ponto da cultura ser massificada e o individuo reduzido ao seu papel de consumidor, um mero objecto da engrenagem económica.

Até a politica está esventrada de conteúdo filosófico e ideológico, usando publicidade e campanhas de marketing agressivo para se venderem como um produto embalado, uma imagem como num detergente da louça. A imagem vende, o cabeçalho do jornal vende, mas não o conteúdo, nem as páginas centrais – esse é talvez o paradigma que se nos coloca – encontrar a motivação e as ideias que fazem funcionar as civilizações.

A politica é exasperante : o mal é que os eleitores o outrora proletariado está encharcado em narcóticos consumistas, apenas procura o bem-estar individual, pois para tal foi educado pelo sistema ao longo dos últimos trinta anos. Trinta anos esses de prosperidade e crescimento económico, ou pelo menos aumento do poder de compra para níveis nunca antes tão generalizados – pelo menos na Europa. Eu próprio me sinto narcotizado e alheio – apesar da sensação que atingimos o ponto de não retorno, e que as gerações vindouras – os nossos rebentos, não terão nos seus horizontes expectativas de melhorias de vida tal como a minha geração teve.

Por isso penso no meu futuro e principalmente no meu rebento, num período tão indefinido de crise. Que futuro nós esperará?

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