cultura e não só

cultura e não só

Nem sempre a alma necessita passar fome. Mesmo numa cidade algo provinciana é possível ter acesso a pequenos mas ricos momentos que alimentam o gosto pela arte e em particular pela música. Tudo começou com uma noite na companhia de J. no Aniki-Bóbó, antro reconhecido de intelectuais, intelectualoides, maganos e maganas, espanhóis e noruegueses em demanda pelo Graal do Porto 2001, capital dos buracos, estudantes de belas artes e presidentes da câmara, fotógrafos e totós.

Não pertencendo a nenhum dos grupos citados, mas sim ao dos que apenas queres dar ao ouvido sem restrições e deambular por aí, assisto ao lançamento da editora do M. Sá e eis que tenho que lerpar com o projecto do M. Carvalhais e Pedro Tudela, (mais outro sujeito que não me recordo agora o nome) que foi interessante mas rebuscado. Salvou-se com os efeitos visuais e com o slideshow que suponho que era de Geir Jenssen que nasceu e vive em Tromso, uma cidade norueguesa situada 70 graus a norte do círculo polar árctico.

Sábado na Serralves este senhor gélido apresentou um concerto bastante bom # Biosphere # – “Sons encontrados, loops rítmicos estáticos e pulsares, “noise”, ruídos surdos e outros fragmentos sonoros são processados, fundidos e digeridos resultando em devaneios atmosféricos, reflexões solitárias e fortemente evocativas. O sussurrar da Terra.” era o que nos era prometido. Um iBook, uma cadeira e uma mesinha espartana eram todo o equipamento de Geir, que mais parecia estar a jogar Tetris.

O “Máquina de Emaranhar Paisagens” foi soberbo não em termos de espectáculo mas em termos de som, que me levou a navegar na mente por paisagens verdadeiramente únicas. Mas claro não deixou de ser algo polémico: “isto da música electrónica vai ter o mesmo seguimento que a pintura. Tinham decretado a morte da pintura mas está-se a voltar a pintar de pincel em Nova Iorque. Vai acontecer o mesmo com a música moderna e vai voltar tudo a pegar em violas, caixas de som e bandas…”. E com oferta de um soberbo copo de Porto que gostava de conhecer a colheita.

Bom e como já chegava de cultura, o resto da noite foi um descalabro completo na companhia de P., que já nos tem habituado a long nigths – fast girls algures nessas capelinhas da moda. E vivam as vacas loucas!