Esmagado em Roma

Faz um par de meses que estive na cidade eterna. Confesso que como amante de História visitar Roma, mesmo que de rompante, mexeu com os meus alicerces de conceitos e percepção do que é a Humanidade, a Moral e a Ética. A cada esquina à a sensação de total esmagamento face a monumentos tão sumptuosos e que se perdem na raiz dos tempos.

A expressão umbigo do mundo tem de facto alguma razão de ser, pois ao fim ao cabo, toda a civilização ocidental está baseada nos princípios culturais judaico-cristãos que estão ali explicados, pedra após pedra. A forma como os romanos deixaram as suas marcas e como acolherem uma religião escolhida e polida por um dos seus imperadores diz tudo do que foi o poder, que ainda emana apesar da decadência prestada pelos séculos. A caducidade do Vaticano, permanece apoteótica e ostensiva em cada esquina. Cada igreja pavoneia incríveis obras-primas de dois mil anos até ao século XIX com a mais perfeita desfaçatez.

Senti-me como oprimido com todos os recantos da Roma antiga grafitados por nomes de papas e cardeais que tentaram imortalizar os seus nomes em todos os monumentos à imagem do que os imperadores romanos faziam. As custas de fortunas recolhidas pelos crentes ao longo de séculos, sustentando uma opulência desmesurada dos chefes de uma igreja. Curiosos que existem passagens nas escrituras onde taxativamente não são bem-vindas riquezas e ostentação. Mas o gajo dos sapatos vermelhos e que sabe e manda. Isso abalou-me. Fez-me sentir roubado e expropriado de uma fé, algo franciscana, algo que em Roma não se pode nem deve procurar. Apenas se pode ficar triturado perante o peso e beleza dos palácios, dos obeliscos e das colunas. E gostei. Explicou-me muito do passado.

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