NO STRESS pós-traumático

5 – Além da distância, um até breve

Já faz algum tempo que regressei, mas nestas coisas de viajar e saborear novos horizontes, há sempre algo que assimilamos de novo.
O reconforto da luminosidade, calor e vivências, valeu-me belos fotogramas de alta-resolução, gravados na minha memória, algo capaz de alimentar a caldeira das emoções por longos períodos de carência energética. A América do Sol vai permanecer um dos meus destinos favoritos, e vou guardar o seu carisma de terra onde o meu espirito pode chegar esvaziado e faminto e regressa sempre pleno e abundante.

O contacto com outras percepções de vida, relega toda aquela ansiedade de frustrações e sonhos futuros, tão típicas dos europeus para o seu devido lugar. Pode soar a falso, mas ambas as vezes que viajei à terra da Vera Cruz, senti-me mudado e rejuvenescido, quer em moral, quer em capacidade de encaixe face aos problemas que se colocam no nosso quotidiano. Muitas vezes sobrevalorizamos aspectos da vida que se tornam insignificantes, e menosprezamos facetas essenciais da nossa curta existência. Essa miopia é curada quando bebemos estas experiências de desprendiamento numa terra linda e brilhante. A Vida deve ser desfrutada assim que nós é oferecida. Não é para usada e consumida na totalidade para construir e perseguir apenas momentos futuros que julgamos serem melhores.
Carpe diem!

Hoje que a distância geográfica e temporal acumulam-se e fazem essa barreira injusta, entre o meu corpo e o cálido mar salgado do Cumbuco, ao sabor do vento na jangada de mestre Pedro, não sinto uma saudade piegas de retornar, apenas acalento essa sensação de paixão consumada com a Vida. Um até breve a essa grande paixão.