Nova bissectriz

A vida nunca nos deixará de nos surpreender. Esse é um postulado fundamental da nossa breve passagem por este mundo. As surpresas que a vida nos reserva são tão inusitadas e inesperadas, tão abruptas que não as podemos antecipar. Só as podemos abraçar e sentir que uma nova etapa recomeça, reconhecendo que o destino nos reserva um caminho diferente do que tínhamos antecipado.

É necessário encarar estas mudanças de norte, com um espírito aberto e atento, observando os obstáculos, não com pânico e desespero, mas sim como fasquias a serem ultrapassadas ou contornadas. É fácil esquecer que nenhum parto é sem dor, nem nenhuma transição se faz esforço. Mudar não é um facto calmo, mas sim uma revolução sangrenta que regurgita todos os fantasmas, que faz rolar cabeças e reclama todas as gotas de sangue que pode, para que o que necessitava transmutar-se, mude de facto a sua realidade e essência, nem que estale, ou se quebre em mil minúsculos pedaços.

Faz anos que a minha vida sofreu um volte de face surpreendente. Dou-me conta que foi nesse ponto distante está na precisa bissectriz da minha história, da minha viagem no tempo. Foram duas metades tão diferentes e intensas, com tantas coisas de positivo e de negativo, mas tão equitativas na formação do que sou hoje. Foram duas etapas distintas dilaceradas com mais profunda ruptura física e intelectual, que me alicerçou para a minha caminhada mais entusiasta em que agora me encontro. Numa nova bissectriz, desta vez tão plena, consciente e doce, mesmo que escorra o sangue revolucionário.

3 opiniões sobre “Nova bissectriz”

  1. Parar é morrer!
    E a Vida nunca nos permite parar.

    Somos Marinheiros num barco que percorre marés, corta maremotos e lança ancoras de quando em vez em pequenos paraísos, nossos amigos.

    Abraço P

    Ui!

  2. Andas muito introspectivo. Não fazia ideia de que andavas assim. Gosto muito da forma como andas a escrever: introspectiva, emotiva e intensa, consciente e, por isso, madura. Continua. Demonstrar dúvidas, sensibilidades, enfim, partes de nós mais vulneráveis é tão bonito que nem sequer existem palavras para o descrever. Estou a adorar. Beijinhos

  3. até há bem pouco tempo eu não acreditava em coincidências, acha que isso era apenas para a Margarida Pinto Rebelo mas afinal… elas existem e transformam-nos em seres… diferentes

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