O caneco que faltava na sala de trofeus do futebol português

Não é necessário fazer considerações sobre a alegria contagiante de ver uma final futebolística tão aguarda e sofrida. Dizer-se que o futebol “move multidões” e é uma “paixão nacional” é ser-se redutor.
O FCP transcende essa questão e vai mais além. Trata-se de uma identidade de humildade, esforço e perseverança. Daí que o seu carisma seja causa e efeito das gentes do norte, pessoas anónimas que se reúnem a volta de uma tribo muitas vezes repudiada e sempre que possível enxovalhada. Muitas vezes o futebol é um simples pretexto, um véu, para um bairrismo genuíno que não é explicável, nem sequer obedece a normas lógicas. Apenas é!

Acusado de ser um “clube regional” e outras balelas, típicas de quem tem dor de cotovelo e vive agarrado aos trofeus de passados longínquos e já esquecidos, o FCP mostrou que este é novamente o ano do Dragão, passados 16 anos. O FCP, como clube e equipa desportiva transcendeu este campeonato regional onde se chega ao cumulo de se dar destaque à luta pelo segundo lugar e mostrou que a vontade e o espirito de luta podem conquistar apenas vitórias. E de facto sempre vai ficar nos anais, como eu previra…

Este troféu teve um sabor especial: deleitei-me a ver as manifestações de júbilo espontâneas, as comemorações de um feito inédito. É indescritível sentir toda aquela gente simples, de todos os estratos sociais, idades e credos, sobressair de expansividade e mostrar o seu azul. Foi enternecedor sentir uma identidade tribalista, uma comunhão partilhada de grupo tão forte e genuína.

Para meu espanto I. alinhou minimamente em ir aos festejos comigo, já que todos os meus compinchas azuis e brancos foram assistir in loco a essa grande proeza. O calor e a festa, o azul e as buzinas tornaram a noite num frenesim mágico. Apesar de cansado creio que estas próximas semanas me reservam novas cambalhotas e reviravoltas na minha existência cinza florescente.