Olha o passarinho

Estou a reaprender um hábito perdido. Comprei uma máquina fotográfica digital, para compensar o extravio da minha máquina compacta no Aeroporto de Madrid em Abril. O artificio de captar um momento, um sorriso, uma pequena visão ou promenor do espaço físico tem para mim um intenso fascínio.

A fotográfica imortaliza um momento, uma sensação ou uma emoção visual que não se pode transmitir por palavras devido à sua perfeição. As palavras e as frases são imperfeitas para descreverem conceitos ou sensações tão elevados ou circunstanciais que se perde a essência em rodeios linguísticos na tentativa de alcançar o que não é alcançável. Por isso, e apesar de ter sido sempre um fotografo de meia-tigela, tive sempre o gosto de disparar aquela captação do eterno.

Eu nunca gostei dos meus retratos fotográficos. Não sou daquelas criaturas fotogénicas que sabem embelezar-se perante o momento que vai ficar suspenso no tempo graças a uma fotografia. Fico sempre com um ar artificial em que não me revejo, como se a minha essência não tenha tradução visual, ou a minha alma tenha uma irreverente repulsa por ser roubada pelo fotógrafo. Desde pequeno que fujo às fotos como o demónio da cruz, só consentindo tal coisa quando me é impossível dizer “não”.

Espero em breve ser capaz de me adaptar à teoria que envolve a fotografia sem filme, com um manual que nunca mais acaba da Nikon Coolpix 4300, para conseguir captar algumas imagens decentes e guarda-las não só na retina na mente, mas também na memória do computador e no papel.

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