Sobre as manifs

2ª parte – As razões
ou
Um basta à falência

Sábado dia 12 de Março, no dia que fazia dois anos de casado foi com satisfação e esperança que me dirigi até a Batalha para participar na manifestação. O porquê de me incluir nos protestos não foi por estar à rasca, uma vez que felizmente me posso considerar um desenrascado, mas sim por não poder compactuar com o meu silêncio com as políticas que transformaram Portugal, mais uma vez, num país sem futuro. E como eu, grande parte dos manifestantes. As palavras de ordem não eram muitas, mas nunca ouvi frases tipo «quero um emprego» ou algo dessa índole, mas sim só sobre a incapacidade dos políticos.

Grande parte desta ausência de futuro se deve à minha geração, que encarou a intervenção politica (muito erradamente) como coisa de fanáticos – uma reminiscência dos abusos do PREC a meu ver. Mas o que eu não entendo é que ainda haja a imagem nalguns meio que a manifestação de 12 de Março foi geracional e só acerca da precariedade dos empregos. Não foi só acerca disso. A manifestação não foi só contra a crise económica. Nem até só anti-governo. Foi tudo isso e muito mais. Espanta-me que muitas pessoas queiram reduzir tudo a pequenas parcelas da questão, a uma questão de jovens desempregados. Nas rua eles não estavam sós. Estavam as pessoas que ainda se interessam!

O que me levou a participar nessa manifestação – e que me encheu de orgulho e esperança por ter tanta adesão com a mesma motivação que eu – foi a necessidade de começar a dizer basta à actual falência politica. A falência que não é só governativa mas sim política, onde os nossos decision makers são caducos e personagens da nomenklatura partidária, agentes em última analise do status quo das últimas duas décadas. E isto sejam quais forem as siglas e cores que vestem, têm apenas o intuito de servirem o partido e os interesses e ambições pessoais e não o chamado servir a pátria e o bem-comum.

Manifestei-me contra a mediocridade dos políticos e a ausência de ideias políticas que possam regenerar o país, coisas que não abundam num regime podre e decrépito – o modelo democrático português precisa de uma transfusão sanguínea urgente. Precisa de ideias e ideais novos, e essencialmente de líderes que não estejam afastados do povo e dos cidadãos após anos de corrupção do poder partidário.