Um cérebro que se queima

Por vezes é necessário parar para meditar sobre a nossa vida. Desde que me conheço fui capaz de analisar, mais tarde ou mais cedo, os passos que tenho dado e que necessito de dar na jornada da existência.

Durante estes últimos dias estou repleto de uma complexidade de emoções, confusões, dúvidas e receios. Sinto que os meus neurónios tropeçam e cambaleiam, a passo com um cérebro extenuado de perseguir uma solução inexistente.
A Vida não obedece a equações matemáticas nem pode ser objecto de causalidade. Um acto não implica necessariamente um acontecimento, uma causa nem sempre dá origem a um efeito. As experiências laboratoriais não serão reproduzidas fora de ambientes controlados, nem a distribuição da probabilidade de um acontecimento é consistente.
Por isso medimos a olho, seguimos instintos, e apoiamo-nos nas nossas experiências passadas para chegar decisões que necessitamos tomar. Não podemos seguir regras, formular hipóteses, extrapolar resultados.

Fermentado e fervendo, o meu cérebro está cansado de revolver toda uma série de encruzilhadas e questões com que me deperarei nas últimas semanas. Como já tem vindo a ser hábito ao longo dos últimos meses, a minha telenovela pessoal está num ponto de viragem do enredo com mais uma cambalhota alucinante. Mais uma vez sou o trapezista que se prepara para um triplo salto mortal invertido sem rede.

Por isso penso, intensamente peso os prós e contras, antecipo se a raínha vai tomar o bispo, ou se o cavalo vai atacar a torre. E se o meu peão defender antes o bispo? E se eu contra-atacar com o cavalo, ameaçando um xeque? Nunca existe a jogada perfeita, apenas a melhor jogada… ou a menos má.

1 opinião sobre “Um cérebro que se queima”

  1. E no entanto não dizem muitos excelentes jogadores de xadrez que não antecipam, mas apenas procuram a melhor jogado em determinado momento? Confesso que isto sempre me fez impressão mas acho que começo a entender!
    Saudações blogueiras 🙂

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