Um mês clean

Faz um mês que me decidi a final e definitivamente a deixar de fumar. Faz um mês que estou limpo de nicotina e os outros milhares de substâncias viciantes, aromatizantes ou simplesmente tóxicos com que a Tabaqueira presenteia os seus junkies em embalagens de 20.
Estou surpreso com a facilidade com que me libertei neste início de desabituação tabagica. Afinal a ressaca foi curta e o meu auto-controle e meditação deram conta do recado em três tempos.
No Smoking!
Foi francamente simples, com alguma força de vontade, estímulos e umas pastilhas com nicotina de chuto de emergência. Creio que a chave para estar um mês sem fumar depois de 15 anos ininterruptos, a colheradas de alcatrão para os pulmões é mesmo a mentalização de que é ele (o vício), ou Eu. Nos últimos dois anos o meu descontrolo com o tabaco havia se agudizado bastante. O maço diário podia chegar aos três se fosse jantar e sair à noite e era-me inconcebível ir para a cama se não houvesse pelo menos um maço meio vazio. Era tempo de decidir mudar.

Optei por me sentir que não estava a deixar de fumar, mas sim que no dia que começa, eu juro a mim mesmo que durante o dia vou tentar não fumar. Afinal 24 horas não são muito tempo e é possível resistir nesse período cumprindo a promessa. Depois é outro dia e volto a tentar fazer nova promessa. E capaz de ser mais simples resistir emocionalmente, quando sentimos que nada do que nos impomos é definitivo e por conseguinte implica um esforço menos doloroso.

Nada como saber o que sinto hoje, estando já a sentir um corpo mais saudável e menos cansado ao fim do dia. As dores de cabeça estão mais raras apesar do meu consumo de café ter aumentado um pouco, rondando as seis chávenas de café diárias. Embora menos importante que saber que posso estatisticamente vir a viver mais anos de uma existência com mais qualidade, é com algum prazer que vejo que o dinheiro na carteira dura ao estilo das pilhas Duracell. Se as minhas contas estiverem correctas, posso pagar todos os anos uma viagem ao Brasil, e ainda sobrarem uns trocados um voo interno, que antes queimava defronte dos meus olhos.

O único dano colateral terá sido evidenciado pelos meus dentes. Agora estou quase sempre a ruminar uma pastilha elástica, mascando desenfreadamente num hábito de substituição nada estético, mas que é concerteza muito mais saudável. Prefiro ser um ruminante que uma doninha fedorenta morta.

Hoje estou orgulhoso de mim, consegui estar um mês sem fumar. Mas nada disto seria possivel sem o apoio da minha amada V, que sempre me incentivou e me deu tanto apoio. Obrigado.