Julho 2003

Não devia duvidar tão frequentemente de que a minha capacidade de encaixe está cada vez maior. Não acredito que está maré de pequenos azares quotidianos possa continuar indefinidamente, como um enorme maremoto. Contudo essas pequenas ondas sucedem-se mais do que seria desejável ou provável, e causam em mim algum desespero, pelo menos de causa.

Estou com o que chamo ser uma “ressaca de Primavera“. Tenho insónias, dores de cabeça, estou cansado e sem paciência. Deambulo semi-inconsciente durante toda a manhã, e durante a noite nem um fio de sono de amostra. As minhas energias parecem ter sido drenadas por um demónio vampiresco ou então estou num grave deficit de seratonina.

O meu quotidiano parece também reflectir todo o panorama nefasto e desorganizado do meu intimo: vagas sucessivas de disparates e azares.
É certo de que o facto de o meu carro estar no mecânico mais de uma semana é perfeitamente natural. Percorrer pequenas distancias num bolinhas com menos 80 cavalos também não é assim tão mau como isso, muito embora estivesse mesmo apavorado quando entro numa auto-estrada montado naquela máquina de lavar a loiça (estou mal habituado!). Aborrecido é andar 30 km com a máquina recuperada e ouvir uns sons esquisitos e a direcção assistida ir para o maneta de forma fulminante. Já estou a ver o mecânico a esfregar de novo as mãos de contentamento: “mandar vir peças”; “mão-de-obra”; “afinação” – são palavras que não me apetece ouvir de novo, nem a mim nem à minha carteira.

Acumulada tenha uma interminável lista de afazeres urgentes, quer a nível profissional, quer pessoal. A minha correspondência acumula-se, a minha vontade de escrever é reduzida, todos os planos parecem adiados, mas pendente e numa ligeira reflexão posso listar mas de dez ordenações diferentes de to-do´s.

Mas disse chega. O cúmulo, que me fez despertar foi a situação patética de ter ficado fechado do lado errado da casa, montado numa bicicleta e em calções e sapatilhas enlameadas e t-shirt suada. Senti uma vontade indescritível de pegar na bicicleta e atira-la contra a primeira coisa que se movesse.

Respirei fundo e pensei com os meus pedais: afinal que estou para aqui a fazer?
“show must go on”.
Parece que me estava a esquecer de muito do que aprendi nestes últimos meses.

o animal nas Antas Creio que nada de mais revoltante existe do que quando alguém se apropria da fama de outrem. Ainda para mais quando se trata de uma personagem famosa que é diminuída mental. O caso “emplastro dragão“, vulgo animal, não deixa de ser sintomático, de como não há restrições de moral no mundo do televisivo e do espectáculo rasca português, e de como os fins justificam todos os meios. Se não há gajas, há cromos, que é isso que o povinho gosta.

O pobre rapaz, uma singularidade inexplicável, graças à sua vontade de aparecer na televisão, tornou-se por isso mesmo um ícone de culto e de chacota no nosso país. Quando passa a existir um aproveitamento da popular da personagem, caí-se no mais profundo dos pantanais, num verdadeiro esgoto de consciência, ao capitalizar a nefasta fama de alguém que não tem consciência dos seus actos.

Custa-me sentir que só num país de energúmenos seria aceitável colocar na televisão nacional o caricato rapaz e utiliza-lo com fonte de audiência e de promoção para o que quer que seja. (ainda para mais para mais um pimbalhão indescritivel) É algo de desumano, utilizar como num freak show, um ser humano que não tem plenas faculdades mentais e discernimento quanto à sua postura. Trata-se de encaixar e facturar às custas de um deficiente mental que se tornou popular – algo que considero bem pior do que o reprovável caso do homem-elefante uma vez que a vitima não tem percepção de que esta a ser utilizado única e exclusivamente pela sua anomalia. É absolutamente um caso amoral, e sem respeito pelo ser humano, verdadeiramente vergonhoso para Portugal. Como já tive a opotunidade de lêr:

«o anormal ,o louro e o xulo(jel)..perante tanta mediocridade só da para esconder a cara de vergonha…»
«…”Fenómeno Emplastro” não é mais do que o fruto propositado dos media ao aproveitarem a insanidade mental deste homem e usarem-na para “entreter” ou antes.. alimentar, a desocupação e o ócio intelectual em que a sociedade actual vive.»

Quando vi na SIC, não quis crer que no nosso país o bom senso tinha desaparecido. Provavelmente somos um país em que o menos idiota é o Fernando da Madalena… Espero que depois disto o Balsemão vá o mais rapidamente possível à falência…

I am a passenger
And I ride and I ride
I ride through the city’s backside
I see the stars come out of the sky
Yeah, they’re bright in a hollow sky
You know it looks so good tonight

I am a passenger
I stay under glass
I look through my window so bright
I see the stars come out tonight
I see the bright and hollow sky
Over the city’s a rip in the sky
And everything looks good tonight

Singin’ la la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la
La la la la la-la-la la la-la

Get into the car
We’ll be the passenger
We’ll ride through the city tonight
See the city’s ripped insides
We’ll see the bright and hollow sky
We’ll see the stars that shine so bright
The sky was made for us tonight

Oh the passenger
How how he rides
Oh the passenger
He rides and he rides
He looks through his window
What does he see?
He sees the sided hollow sky
He see the stars come out tonight
He sees the city’s ripped backsides
He sees the winding ocean drive
And everything was made for you and me
All of it was made for you and me
‘cause it just belongs to you and me
So let’s take a ride and see what’s mine

Singing…

Oh, the passenger
He rides and he rides
He sees things from under glass
He looks through his window’s eye
He sees the things he knows are his
He sees the bright and hollow sky
He sees the city asleep at night
He sees the stars are out tonight
And all of it is yours and mine
And all of it is yours and mine
Oh, let’s ride and ride and ride and ride…

Singing…

Num crepúsculo de desalento e recordações perdidas
Sairás sobre o firmamento, consagranda em ardor.
Serás toda a minha existência pecaminosa,
Toda a minha luxúria frustrada, repleta de amor e fel,
Numa noite luminosa, que se estende sem sombra de dor.

No tempo de cólera de paixões passadas,
E paixões consertadas, terás o vigor do sexo desenfreado,
Do desejo sufocante e possuirás a minha chama desvairada,
Toda a minha libido demente sobre o céu na terra,
Num momento desgovernado, como nunca foi vivido.

Será assim que vejo
Será assim que eu te desejo
Mesmo quando não te beijo
Num suave anoitecer
Exaltante.

A médica estava exausta e eu ainda mais. A consulta era breve e apenas se destinava a uma breve análise de exames, que se apresentavam regulares sem motivos de preocupação. Eu estava aborrecido de estar já à espera de consulta há mais de hora e meia, e há tinha esgotado todos os métodos de auto-distracção para fazer passar as horas numa sala de espera.

Quando a televisão pública começou a transmissão d`«O menino Tonecas» a minha paciência bateu mesmo no fundo da cave e partiu-se em mil bocados. Nada me pode irritar mais que aqueles sketches sem graça, com gags previsíveis desde a primeira frase. Ao nível intelectual e cultural da maioria da população: um verdadeiro serviço público…

Dez minutos de consulta, 40 euros mais pobre (sem recibo porque com recibo são 50), mais uns quantos placebos aviados. É o país que vivemos…
Juro que este Verão as coisas terão de dar uma grande reviravolta. Nem tudo pode ser a descontracção da falta de iniciativa em que me deixei cair. E a minha caixa de correio dá-me algum alento, talvez mesmo o remédio mais eficaz.