Junho 2005

A cada dia que passa, redescubro velhas amizades que tinham sido edificadas em betão armado, e que julgava injustamente perdidas.

Fotografar a minha cidade, deu-me há tempos um renascimento espiritual, de observar a beleza das coisas porque passamos todos os dias e não lhes damos o devido crédito. Ver com olhos de ver, as linhas que embelezam o nosso quotidiano e não passar sem degustar com a visão a alma do espaço à nossa volta, atinge-nos. Faz-nos apreciar a beleza como um ser mais grandioso e agradecemos fazer parte desse ser, nem que seja pelo admirar.

Voltar a minha aldeia ancestral também se revelou uma abertura de horizontes perdidos. Perdi-me durante horas no esquecimento dos campos, sentindo a natureza rude e perfeita. O verde no granito e o granito borbulhando do verde, a perder no campo de visão, levaram-me a percorrer montes e vales, ansiando sempre por ficar sem respiração assim que atingia um cume mais distante. Reflecti e encontrei minhas raízes algures naqueles campos, chegando mesmo a ter naquelas rochas da Raia, Portugal num pé e Espanha noutro. Absorvi os cheiros e ruídos da minha herança.
Depois senti-me renovado. Capaz de prosseguir.

O que eu julgava ser uma fase de travessia do deserto, tornou-se rapidamente num oásis muito amistoso. A Vida tem fases que nos encaminham para terrenos que nem sempre são os que queremos atravessar, mas reserva-nos trilhos alternativos.

Por vezes temamos em seguir por becos sem saída, batendo furiosamente com a cabeça num muro intransponível, pois achamos que voltar atrás no percurso é um retrocesso. Isso não é verdade, uma vez que há sempre uma encruzilhada que já passamos que podemos retomar e tomar outro caminho.

Não vale a pena insistir num caminho errado quando estamos perdidos. Mesmo num deserto… pois pode-nos levar a um oásis imenso em vez da morte na areia escaldante.

The kids are freed, now all they need is a gift from their mum and dad
They heard the tones, of Spanish phones stranded in the sand.

You left on the lights, is there somebody home
You left on the lights, is there somebody home
Left on the lights, is there somebody home, light and magic

You cut your hair and made a friend, now they’re falling into you
This is the closest that you will get to them, how do you do?

You left on the lights, is there somebody home
Switched off your voicemail and left it alone
Left on the lights, is there somebody home, light and magic

Then lost some time in someone’s line, might just’ve caught the show
This is not real, but it will deal with this thing between tonight and
tomorrow…

By the beach in a one-storey building, you’re lucky if the light’s not out
But, baby, now you look like a Xerox of yourself.

The kids are free, now all they need is a gift from their mum and dad

Sentindo o vento zumbindo nas minhas orelhas, agrada-me a sensação de perigo, quando percorro a linha do neo-eléctrico que está a ser construída entre a minha cidade e a minha praia.

As obras ainda estão atrasadas, mas as lages mal assentes das valas permitem-me atingir uns ofuscantes 30 km/h numa largura de 70 cm durante quilometros. A adrenalina consome o passeio onde nem sequer posso tirar os olhos da frente enquanto pedalo freneticamente.

É uma sensação única de liberdade e risco. Um salto em falso e só no outro dia de manhã poderão ver os meus ossos todos quebrados. Mas não consigo resistir.