Janeiro 2006

A passagem de ano acarreta a esperança frenética das resoluções para o novo ano. Planos e mais planos, expectativas e até por vezes alguns desajeitados desejos de mudanças radicais.

Enquanto se engolem as passas despejam-se atabalhoadamente votos de um futuro melhor, para os outros e para nos sem aprofundar muito o seu significado, e quando na pressa se engolem as últimas passas para acompanhar as doze badaladas damos conta que ruminar as uvas secas ao Sol não é assim tão agradável.

O que é agradável, isso sim é a predisposição de efectuar mudanças ao nosso life style a acalentar que é exequível, como camaleões, mudar os nossos traços e destinos. Talvez as resoluções de ano novo sejam apenas e só isso: acreditar que há algo melhor o nosso alcance.

Por bem ou por mal alguns volte-de-face já me caíram do céu este ano. A continuar assim este circulo ao redor do Sol promete ser agitado. Não será propriamente como na música pouco conhecida Death or Glory, em que se ainda temos um crash and burn, mas há muito em jogo. Felizmente há esperança de ouvir uma vez ou outra um Hallelujah como epílogo.

Após um longo período de procrastinação, de algumas atribulações e peripécias, volto a escrever neste diário. Não quero deixar de tentar esboçar alguns textos e relatos desta vivencia de meliante encartado, apesar de alguma preguiça e manifesta falta de tempo.

Não é pelo começar do ano ou pelo culminar do Inverno que interrompo o meu silêncio voluntário. Trata-se apenas de uma coincidência temporal, sem as influências tantas vezes palermas das resoluções de ano novo. Move-me talvez a necessidade de desabafar, de compartilhar com todos e ao mesmo tempo com ninguém em particular, nada em concreto. Tão só a necessidade de comunicar de forma intimista e quem sabe também a necessidade de estabelecer uma caixa do tempo, que daqui a uns anos vou desenterrar. Nessa caixa do tempo vou colocando pequenas nuances e chaves secretas para os meus pensamentos, um backup para as minhas memórias inconsequentes, para que num futuro remoto, vejam a luz do dia salvas do esquecimento.

Não sei se viajarão no tempo que tudo emudece e refina a essência. Serão com sorte pensamentos colocados numa garrafeira, amadurecendo para que num momento ideal sejam abertos e servidos em copos de cristal, com esperança que a reserva se tenha tornado um vintage. Com sorte talvez. E tudo depende da colheita. Esperemos que seja boa…