Abril 4, 2007

Sem vergonha e paciência para fazer sumários descritivos, mas com recordações que não gosto de deixar ficar em branco nas minhas vadiagens, deixo para fins de um cadastro algumas impressões fugidias.

Para ser muito honesto a minha vida regula-se agora por novos nortes e interrompi uma cadeia de vícios e de deambulações que se tornam desirmanadas com o meu novo estilo de vida, mais caseiro, mais consciente, mas sem se tornar desinteressante. Apenas mudou o seu ofício, num upgrade há muito desejado.

Para além da parceria divina, conto com um gosto exacerbado pelo hobbie fotográfico, que aos poucos vou aprimorando, muito embora reconheça a minha falta de talento crónica. Mas o gozo é tanto que vou treinando, qual nipónico pronto a flashar tudo em seu redor.

A regularidade das minhas visitas às salas de cinemas aumentou significativamente. Posso dizer que a minha veia de cinéfilo tem estado repleta de guloseimas, e pior parece que a cada dia descubro novos serões caseiros onde dvds me enchem a retina e os tímpanos com obras de arte da sétima arte. Alguns oscarcizados pareceram-me realmente bons. Mas nos clássicos dos mestres é onde me refúgio cada vez mais.

Viajamos em diversas escapadinhas, tipo vá para fora cá dentro e afins. O Douro, a Raia e a minha praia mostram-se cada vez mais territórios meus, zonas de escape da podridão urbana e da rotina.

Marcou-me particularmente uma despedida há muito anunciada. O ritual fúnebre mostrou-se sinistro e funesto, não por acarretar o luto, mas sim por exasperar no ridículo a dor honesta, como se fosse um acontecimento social a que não podemos fugir, com o precioso bónus de inúmeros familiares vindos directamente da quinta dimensão. Coisa para nos fazer duvidar da genética. Mas em suma a morte é per si estranha, mas simultaneamente natural. E isso eu não esqueço.