2013

Depois de alguma labuta, lá consegui reunir pelo menos um par de resistentes para ir ao cinema. Não se tratava propriamente de ir ver um filme, mas sim ir ver mais uma obra-prima geek do Peter Jackson que tem esmiuçado o universo de Tolkian como ninguém.

Desta vez o terceto não ficou desiludo, como de resto tem vindo a ser hábito, nos filmes de Jackson. Uma aventura e um deleite do imaginário do fantástico reproduzido com pormenores e detalhes que só a tecnologia moderna é capaz de reproduzir. Talvez os efeitos 3D sejam uma menos-valia que cansa os olhos, um produto para justificar não ter optado por um torrent.

Mas talvez o filme fosse só o pretexto para rever os amigos. Uma espécie de reviver o passado, buscando algo em comum do passado semi-recente, recriado novamente para uma situação de conforto e auto-estima. Uma amizade que se proteja num tempo de cada vez mais ausência de tempo para conviver.

“A morte é inevitável. Quando um homem fez o que considera seu dever para com seu povo e seu país, pode descansar em paz. Acredito ter feito esse esforço, e é por isso, então, que dormirei pela eternidade”

~ Nelson Mandela 1996

Com as chuvas persistentes sinto a forma agradável como o outono nos convida a ficarmos mais introspectivos e ao mesmo tempo mais dados à família.  Um tempo para nós, para os nossos pintado num quadro de céu cinzento, conforto da nossa sala e os risos de dois adultos e dois petizes.

Para quê assumir que  a vida é feita de conquistas físicas e sociais? Não o creio. A vida é tão somente vencedora num dia de sorrisos cúmplices. Nós.

 

No rescaldo das eleições autárquicas fico com a noção que a democracia tal como a entendemos desde o 25 de Abril chegou a um momento de profunda degeneração e desarticulação.

A descrença na classe politica e da tal partidocracia,  ou seja desses clubes de tachistas, compadrios e associações semi-criminosas,  chamados partidos políticos,  atingiu tal nível que os votos nulos e brancos duplicaram.    Isto porque tudo somado as opções partidárias capazes de governar são do estilo da Coca-cola versus Pepsi-cola: ambas fazem mal à saúde, são um combinado de açucares e corantes e vivem à custa de publicidade para venderem o seu equivoco.

Eu cá vou começar a  preferir água da torneira.

Chegadas as primeiras chuvas de outono, chega a rotina que nos há de acompanhar durante longos e sombrios meses. Tal é a noção que nos ocorre. Mas nada é certo e na verdade não há rotinas a não ser que as abraçamos maquinalmente e as sigamos cegamente.

Este outono quero reformular muitos padrões de comportamento e assim mudar também a forma de pensar e agir perante aqueles que estão à minha volta. Pequenas alterações que juntas podem dar grandes mudanças, abrir novas portas e novos desafios. E isto sem grandes planeamentos e efeitos de choques, tão só ajustamentos graduais rumo a uma vida menos estressada e mais feliz.

Agora que a minha maturidade desaflora para uma nova etapa de renovação sabendo uma das premissas mais importantes da nossa existência :

As mudança surgem de dentro de nós.