Categoria: Dia-a-dia
A vida de um meliante em palavras
Tempo escasso
O tempo é escasso, um pensamento constante inevitável a quem já ultrapassou a casa dos 35. Mas a raridade actual de momentos disponíveis não se deve há idade ou à rotina. Deve-se antes ao facto de estar a Viver a vida.
To twit or not to twit…
To twit or not to twit…
O filho do tio
Mesmo que se diga o contrario, a politica e o governo estão sobre uma campanha negra. Mas por muito que o primeiro ministro venha jurar a pés juntos que está inocente e qual cordeiro seja vitima dos lobos maus, e o filho do tio venha em defesa do primo, lá do mosteiro de Shao-Lin, há de facto matérias sujas envolvidas.
Então porque razão teria um ministro do ambiente de se reunir duas vezes no mesmo dia com um conjunto de empresários, num caso que era para ser da responsabilidade de um secretário de estado? E porque a morosidade cronica do Ministério do Ambiente, e os intermináveis pedidos de impacto ambiental se transformaram em 15 dias?
E acrescento – mesmo que não se prove que existiu corrupção é inequívoco que existiu pelo menos tráfego de influencias e disso o nosso primeiro não se livra: de impoluto não tem nada.
Neve
A neve regressou à minha cidade. Foi fugaz, mas relembrou-me a minha meninice, quando brinquei com a neve com os meus colegas de turma. Terão passado vinte anos desse essas memorias, mas recordo-me da magia do inusitado branco que caiu do céu.
A onde de frio faz-me sentir algo nostalgico e como um gato friorento só me apetece enroscar-me um dia inteiro ao quentinho. I wish!
Velhos amigos ao quadrado
O fim de semana passado foi recheado de reencontros sobe o auspicio natalício.
Almoços e jantaras estavam agendados, a custo, nas agendas sobrecarregas da época. Com ou sem renas, o Natal tem vindo a preencher os restaurantes festas e encontros, pretextos para gastar alguns trocados enquanto estão no bolso. Isso já é tradição entre nós.
Logo ao almoço, numa festividade pouco tradicional, recheada de rebentos, acho que me comovi bastante por ter reencontrado J. passado todos esses anos de tempestuosidades inúteis sem sentido que nos afastou. Mas num click e porque a maturidade assentou nas nossas mentes com os anos, tudo se resumiu a sorrisos e cumplicidades. E isto com as maravilhas ao meu lado.
Ainda a suspirar fui para o jantar, que já tradicionalmente junta a trupe do inspector P. e o notável N. Ainda que fosse no sitio do costume, havia a bomba atómica – uma cápsula do tempo filmada por Sony´s Video8 e que devidamente editada, nos caiu numa exibição cinematográfica para reportar o que nos fomos em catraios. A imagem daqueles adolescentes irreverentes e bastante palhaços (para não dizer outra coisa) , além de gerar alguma incredibilidade acerca da quantidade de anos que se passaram, fez uma onda de saudade e fraternidade entre os presentes. Ver a nossa praia ainda não muito betonada, ver o quanto éramos magros, as nossas asneiras, a postura 80´s , as inocências e as sem-vergonhisses, deu um ar muito nostálgico mas feliz. Foi bom reviver o Passado, é ainda melhor viver o presente.
situações insólitas
A vida como é habito cria os seus hábitos. A vida corre fluída quando se está feliz e estável, no mundo familiar que criamos e amamos.
Mudando de cena e visitando um espaço noctívago que estávamos já desabituados, podemos assistir a um concerto brilhante e para o qual não compramos bilhetes e que assistimos numa sala de projecção mística, qual cena decadente do 2001 Odisseia no Espaço. E com o meu velho amigo Gin e a mais bela companhia do mundo.
Porém há sempre percalços e situações insólitas que servem de cenário colorido da paisagem permanente. Um particularmente estranho foi a minha querida pet ter decidido que era um gato para-quedista e pôs em pratica aquele desporto radical sem estar apetrechada com o respectivo equipamento felino. O resultado apavorante de ter um gato a cair do terceiro andar só pode ser ainda mais medonho se não se dá conta do voo e se procura o bicho sem muito sucesso. Felizmente, fora o lábio rachado e patas com almofadas estouradas não houve danos de maior a não ser uma conta calada do veterinário e um susto que nos deixou incrédulos de tão inusitado que foi.
Interessante foi uma palavra fraca para descrever a surpresa com que fui brindado num jantar de aniversário de um amigo que está sempre no coração: a medalhada jantou connosco, num momento e lugar completamente improvável.
Acho que a vida não obedece a estatísticas e probabilidades…
Sul
Rumando ao Sul do meu país pude observar numas férias de sonho, o quando o meu país é aprazível, terra de bons costumes e acolhedora. Não está patente o país dos telejornais, que todos os dias inundam o televisor com mensagens de sufoco criminoso e insegurança a cada passo, e apesar da crise das estatísticas nunca vi um parque automóvel digno do Qatar a passear-se nas auto-estradas. Algures no aparente das minhas férias e nas notícias sensacionalistas deve existir um Portugal mortiço, economicamente inviável, mas onde ainda não é terrível viver.
Mesmo gostando do meu país, e até do Sul as férias nestes pontos são agradáveis fora da época das festanças de Agosto, longe dos maranhais e multidões histéricas. Apenas num agradável clima ibérico sem as trupes, requisito essencial para existir o conceito férias – a fuga à azáfama e multidões urbanas apressadas. Isso ou a América do Sol. E as caipirinhas…
pequeno sacrifico
No sentido de tentar recuperar a forma e tentar eliminar uns quantos quilos tenho-me imposto um pequeno sacrifico de correr.
A corrida tem se tornado um vicio muito salutar e os poucos vou alcançando objectivos que há uns anos acharia impossíveis. Nas últimas semanas a visibilidade do horizonte e de superar as minhas capacidades tem operado milagres no meu peso e forma física.
Alias o que no inicio era um sacrifício está tornar-se numa necessidade de escape e compensação do stress diário, ouvindo as minhas músicas no meu Apple vermelho.
Foi a dar o meu ar de recém-maluquinho das corridas, que nos meus percurso nesse subúrbio envelhecido da minha cidade que me deparei que em Agosto a cidade quase que fecha portas. De facto as persianas estão fechadas por todo e no calor apenas se vê a fauna idosa. Nos parapeitos, nas janelas, nas soleiras das portas, os sócios do clube geriátrico, os veteranos da vida, permanecem estáticos no entardecer. Parecem existir às dúzias, abandonados pelo resto das suas famílias que os abandonou enquanto foi de férias – olham ausentes com ar de solidão, enquanto eu tento fazer mais um quilometro em menos de sete minutos.
7
Descanso salgado
Navegando em mares recorrentes, sem nenhuma água salgada na companhia das mulheres da minha vida, foi uma experiência nova e alegre. Muito me apraz pensar que sou um gajo afortunado e que o destino me foi muito favorável, na vida confortável que me reservou.
Com horários rígidos e responsabilidades diferentes a minha praia foi aproveitada a conta-gotas e o solário foi o solução recorrente. A calma e o descanso pautaram um gosto pela preguiça e pelo prazer de estar a viver um doce sonho.
Mas além do mar salgado, tive ainda tempo para desfrutar da urze raiana, das longas viagens entre as três fortalezas fronteiriças, por entre ondas de vales e montanhas. As cidadelas estavam lindas, bem cuidadas e remontavam a um presente orgulhoso do passado, agradável à vista e aos turistas.
Foi bom , terno e curto.
Presente
Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.
Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.
Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.
Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.
Tempo é escasso
Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.
Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.
Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.
Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.
Concerning emotion
Uma questão de fé
Criar uma criança nesta época é acto de fé. Não é possível de forma racional fundamentar o milagre de trazer um novo ser a este mundo, numa perspectiva conjuntural de declínio civilizacional.
A crise do petróleo, o espectro da fome, a crise financeira do subprime, a ameaça da gripe das aves, o aquecimento global, entre outros, são cenários reais demasiadamente sérios e nefastos quando se medita num paradigma tão simples que se coloca a qualquer progenitor: que futuro vão ter os meus rebentos? A incerteza de futuro e as perspectivas sombrias das próximas décadas não auguram nada de promissor.
Mesmo com horizontes negros, coloca-se o sonho individual de constituir família e descendência, de se amar, de se tentar ser feliz. E repensando a história, quase todos os momentos de 6000 anos de civilização documentada, sempre existiram sombras, apocalipses, crises. E não foi por isso que o ser humano deixou de ter fé que viessem momentos melhores no futuro para os seus.
Abril parado…
Actualmente as chuvas de Abril estão a comprimir a minha necessidade renovada de open spaces.
Espero que a Primavera se renove convenientemente para que a minha forma física possa ser perseguida com a ajuda de de um Nike Plus que tem estado negligenciado. Anseio por ouvir as minhas músicas favoritas a suar e ultrapassar os novos limites. Os meus quilos extras estão a precisar!
Window
Parvos para que vos quero…
Já começou a caça ao voto e aos parvos.
O IVA 20% é o sintomático exemplo que não existe na nossa classe politica (III Republica) ninguém que não se regesse por motivos eleitoralistas e não por motivos estratégicos.
Em suma, todo o esforço de suportar um imposto mais oneroso durante anos vai ser destruído pois o grande asno das coincineradoras e Engenheiro à pressa Sócrates quer conservar o poleiro.
O apertar do cinto que o estado esteve a exercer nas vacas magras vai ter que ser esbanjado para que mais uma vez o calendário eleitoral seja cumprido. A necessidade que o partido que está no poder tem de dar mostras de uma falsa eficiência é tanto que é preciso mostrar aos menos avisados que os impostos vão descer.
Mera ilusão para os parvos que fazem cruzes. Que o rigor orçamental vá para as urtigas pois estamos em crise. Depois daqui a dois anos aumenta-se o IVA novamente. E é assim que se governa Portugal.
Subitamente
Subitamente apeteceu-me escrever. Escrever como se nenhum momento de intervalo estivesse intercalado entre este momento e o anterior, como se todo o conteúdo que se passou entre o ponto A e o Ponto B estivesse suspenso.
Por isso escrevo. Porque este ponto B é um ponto sem antecedentes de dormência o relaxamento. É apenas o ponto B, onde o ponto A não faz sentido nem na distância, nem na origem. Por vezes temos que ser condescendentes com o nosso passado para que tenhamos um presente sem pressões. E de súbito sem pretensões apeteceu-me acrescentar mais um capítulo a esta espécie de diário, só para me lembrar que existe um ponto C.
Típico
Agosto é mês de descanso e férias. Algo que recusei de ante-mão, não porque esteja cheio de energias, mas sim porque o trabalho é menos pesado e as filas de transito migraram para outras bandas.
Mesmo assim a minha opção parece-me escassa, pois este Agosto tem se mostrado tão pálido, tão medroso que não me parece o mesmo mês. Salvo a vida agitada no que toca ao social, tudo o resto parece algo colocado fora de ordem cronologia. Não há um calor tórrido, incêndios, esplanadas, tostas na praia.
Talvez haja algo típico no atípico.
6 anos
Os anos sucedem-se depressa, ligeiros, imparáveis.
Começa-se.
Primeiro um, depois dois, três, em seguida quatro, e depois cinco.
E chega-se a meia dúzia. Sem saber bem porque, o tempo fluí rapidamente dando a impressão de ser impossível de se lhe seguir o rasto. Fico contente por perceber que numa meia dúzia de anos seguinte um trajecto muito interessante, repleto de erros colossais e vitórias redundantes, de tempestades e bonanzas, de aventuras e devaneios diletantes. Podia ser menos agitado, menos dramático, mas tem sido uma boa lição, aprendida a custo e com resultados impressionantes de crescimento pessoal.
O meliante não é mais o mesmo, nem se dá a pseudo-psicoses, e mais equilibrado e feliz, tenta encontra o seu equilibrio na corda-bamba da vida, questiona-se e não se revolta ao estilo de rebelde em causa.
As águas que passaram no moínho são muitas, cheias de tentativas e erros, e de inumeros galos, à custa de tanto bater na parede com a cabeça. Não digo que não vou errar mais, isso seria não ter apreendido absolutamente nada. Apenas digo que hoje a maturidade me permite estar capaz de errar menos, de equacionar melhor hipoteses e rotas por mares menos revoltos. E isso em seis anos. Nada mau.
Bardos
Não sei o que me dá na gana, para passar tempos esquecidos sem atender às necessidades de escrita salutar. Talvez as excelentes leituras em que tenho mergulhado me tenham inibido de escrever dado o virtuosismo literário que me tem acompanhado em inúmeros serões e tardes de lazer de deleite.
A leitura desenfreada apanha-me de tempos a tempos, quando me vêm parar às mãos alguns grandes mestres e raramente tive um período tão profícuo. De Henry Miller a Garcia Marquês, passando por Amado e Albert Camus.
Perante páginas tão brilhantes e audases, e também pela abrangência de estilos e tipos de narração fico suspenso no deglutir mental de tamanha genialidade. E bom mergular em semelhantes leituras e ouvir o discuso dos bardos.
A ilha verde
A ilha verde foi um destino de fuga fabuloso e inesperado. Eu nunca tinha antecipado os Açores como uma rota de férias, mas fiquei surpreso por muitos motivos.
Antes demais seria a visitação ao maninho no seu constante degredo e auto-ostracismo insular, e por outro lado era mais uma aventura a dois num local de férias distante.
Logo deu para depreender que caíramos em desgraça perante o S.Pedro e que o Sol nunca nos estaria reservado, mas sim um abundante ar húmido e pincelado com bastante nuvens negras e até aguaceiros. Mas isso era o menos importante num cenário tão peculiar, plantado em pleno centro do Oceano Atlântico. Fiquei atónito com a imponência do azul, do verde florescente e pela relatividade do tamanho de S.Miguel.
Logo à chegada fui brindado pelas verdadeiras excitações dionizinas do meu maninho e praxado a rigor com minis a ponto de pensar se não estava a ter um dejá-vu pois a minha chegada à Madeira, há meia dúzia de anos atrás, tinha tido o mesmo inicio rocambolesco. Espantado fiquei por ser acompanhado com semelhante entusiasmo, e companhia de desacatos hepáticos. A factura foi muito pesada mas acompanhada de iguarias culinárias únicas que me valeram uns bons quatro kilitos numa semana.
Logo se seguiram as viagens turísticas exigidas quando se está num cenário tão espantoso. Mesmo ao volante de um boloide conseguimos correr o que eu considero ser uma das belezas naturais mais espantosas que consegui presenciar e apenas sei que nenhuma descrição poderá alguma vez traduzir a maravilha que se desenlaça no olhar.
E aquela invasão na retina de beleza numa verdadeira jangada de pedra fica na minha memória de bons excelentes momentos, de liberdade e consciência da vastidão do planeta terra e do maravilhoso Atlântico.
Até às Arábias…
Viajar até às arábias revelou-se particularmente interessante. O choque cultural que eu estava à espera concretizou-se, mas de forma que eu não tinha sido capaz de prever.
Ser-se turista num país que é em grosso modo islâmico, não deixa de ser uma visita de um forasteiro que representa divisas e ao qual convém extorquir o máximo de dinares possíveis. Somos tolerados, apenas e só e apenas nos falta uma etiqueta na testa a dizer quanto valemos.
Desagradou-me sentir na maior parte das vezes como alguém que perdeu o estatuto de cidadania, que senti que sempre mantive por toda a Europa e América do Sol ou na África austral. Não creio que se trata apenas de uma barreira cultural e religiosa, mas sim de uma barreira que é social, onde nós -pobres ocidentais – presumimos estar mais evoluídos.
Mais a mais, aperceber-me do rigor militarista do estado e que estou noutro país onde subsiste uma fantochadocracia de partido único, onde o presidente alterou duas vezes a constituição para alargar o número de mandatos consecutivos … É uma sensação estranha, e até bizarra, sentir que os valores não são melhores ou piores: apenas diferentes – talvez mais rigorosos no que toca ao patriarcado familiar e ao rigor social face aos alegados costumes religiosos. Nem é sempre agradável sentir que nessa sociedade o lugar da mulher é dentro de quatro paredes, e que surgem sempre alguns olhares de desagrado face aos costumes ocidentais fora da zonas «turísticas» e de «consumo».
Mas se pusermos de lado a questão social, ficam os lugares, os sabores e a companhia. Um cheirinho a deserto, a uma história antiga que parece inóspita e conturbada desde fenícios, cartagineses, exércitos poeirentos em Panzers e onde o azul celeste está sempre presente solidificando uma consciência diferente e intemporal e de Verões tórridos frente ao Mare Nostrum. Senti o laxismo descontraído que se pretende numas férias em que felizmente estive fora de vista de compatriotas. Já por isso valeria a pena relembrar. Mas não voltar.
A secretária extra large
Este é um dia que me aparece idílico, mas que estou preso nas contingências do quotidiano. A liberdade do espírito porém não é posta em causa, trata-se de circunstâncias iguais a tantas outras que nos limitam no espaço e tempo. No meu caso trata-se de uma secretária cinza, talvez disforme pelas suas dimensões exageradas, onde todos os dias úteis me coloco durante horas. Nada de diferente de tantos outros…
Segunda-feira é um dia que eu nunca apreciei. Tal como se pode ler no manual dos preguiçosos, este é o dia da semana em que os minutos se arrastam de forma mais monótona, e sentir o mercúrio dos termómetros a entrar em níveis apetitosos prova ser uma menos-valia para quem tem o seu ganha-pão afixado a uma secretária extra large. Pode ser enorme mas hoje sinto-a invulgarmente minúscula e claustrofóbica.
Resta-me o consolo de saber que em breve me vou perder nas Arábias na mais perfeita companhia.


