Letras e Poemas

A noite passada

A noite passada acordei com o teu beijo
descias o Douro e eu fui esperar-te ao Tejo
vinhas numa barca que não vi passar
corri pela margem até à beira do mar
até que te vi num castelo de areia
cantavas “sou gaivota e fui sereia”
ri-me de ti “então porque não voas?”
e então tu olhaste
depois sorriste
abriste a janela e voaste

A noite passada fui passear no mar
a viola irmã cuidou de me arrastar
chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo
olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falámos
e então dissemos
aqui vivemos muitos anos

A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti disse baixinho “olá”,
toquei-te no ombro e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então olhaste
depois sorriste
disseste “ainda bem que voltaste”

Sérgio Godinho : A noite passada

Corpo trémulo e ansioso
Espartilhado pelas decisçes
Temo as mesmas ilusões
Quando sussurras carícias doces.
Torturas-me!

Espírito retorcido pela tua força
Esmagado pela tua sedução,
Sou mero tapete de emoção
Que pisas sem piedade.
Endoideces-me!

Crucifica-me antes em paixão
Queima-me na fogueira sem perdão
Devora-me com ânsia o coração

Mas não me possuas,
Sem eu te possuir
Nem me escravizes,
Sem eu te escravizar
Nas chamas de um amor
Efêmero ou eterno.

Anjo Negro,
Tortura o doido,
Mas solta tuas algemas.
Foge da tua jaula.
Escapa do inferno.
Agarra-me como eu te agarro.
Sonha-me como eu te sonho.
Mas não me esmagues
Não me espartilhes
Como o teu desejo.
Crava as tuas garras
E arranca a minha pele
Bebe meu sangue
Devora o meu corpo
Comunga o meu espírito
Sacia-te da minha alma
E liberta-te da escuridão
De corações abertos
Subiremos juntos
Aos céus.

Loucura

Sou do fado
Como sei
Vivo um poema cantado
De um fado que eu inventei
A falar
Não posso dar-me
Mas ponho a alma a cantar
E as almas sabem escutar-me

Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou
E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou

Nesta voz tão dolorida
É culpa de todos vós
Poetas da minha vida
A loucura, ouço dizer
Mas bendita esta loucura de cantar e sofrer

Chorai, chorai
Poetas do meu país
Troncos da mesma raíz
Da vida que nos juntou
E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou

E se vocês não estivessem a meu lado
Então não havia fado
Nem fadistas como eu sou

Fado interpretado por Mariza com letra de Júlio de Sousa

Ecoa sempre nos meus pensamentos
Essa paixão que se reprime
Distante por dias, perto por momentos,
Que me purifique e expie
E que se divinize mortalmente.

Sombras de um sol tórrido,
E aroma de um suor tropical,
Sabia-te perto o hálito cálido,
Na tua fragrância sensual
Que memorizo eternamente.

Vibra em ondas o mar salgado,
Onde pairo suspenso de vazio
Cheio da tua saudade, amargurado.
Flutuo na incerteza do cio
Que acalento languidamente.

Brisas do um estio antecipado
Batem na pele dúvidas da emoção
Serei eu um mísero culpado,
Que me castigue aquela canção
De te amar tão avidamente.

Mortalmente ou eternamente;
Languidamente ou avidamente;
Amo-te.
Ama-me.

Arrebatado,
Pendurado numa paixão imensa
Incapaz de respirar
Apenas sussurrando
Ama-a

Enlouquecido,
Contando os segundos para a ver
Incapaz de esperar
Apenas suspirando
Ama-a

Excitado,
Tocando violentamente o corpo dela
Incapaz de se conter
Apenas arfando
Ama-a

Amor funesto antes da hora desejada
Numa paixão malfadada e apressada
Tomo-te e tomas-me com paixão
Divides sem pudor meu coração

Paixão ilógica sófrega de amor
Fugindo à solidão com clamor
Possuo-te e possuis-me audazmente
Beliscas em luxúria a minha mente.

Quero-te
Quero, mas não te tenho!
Queres-me
Queres, mas não me tens!
Aguardo pelo nosso momento
Ansiosamente

Golden Boy feat. Miss Kitten
Rippin’ Kitten

Mommy, can I go out and kill tonight?
I feel
I feel like taking a life.
Please, I want to steal the kitchen knife
and feel
Feel like taking a life

Daddy, can I go out and hunt tonight
Like you do on Sunday mornings?

Honey, give me a real gentle knife
To feel
Feel like taking a life

Mommy, can I go out and kill tonight?
I feel
I feel like taking a life.
Please, I want to steal the kitchen knife
and feel
Feel like taking a life

10 notches
2860 KM
Coruña, Avila, Valencia, Salamanca
Ninas
Mediteraneo
follow that car
Horchata
Aserejé!!!

10 notches
Gran Via
Caña
Maria Pita
Paella
Iris Coffe
Playa
Bailando
Seos
Aserejé!!!

10 notches
Carmen Sui Geniris
Selar
Subnutridas
Pis-pis
Aquarela
Aragón
Guapas
Aserejé!!!

Mira lo que se avecina a la vuelta de la esquina
viene Diego rumbeando
con la luna en las pupilas
y su traje agua marina
va después de contrabando
Y donde mas no cabe un alma
Y se mete a darse caña
Poseído por el ritmo ragatanga
y el dj que lo conoce toca el himno de las 12
para Diego la canción más deseada
y la baila!!!
y la goza!!
y la cantaaaaaaaa!!!

aserejé ja deje
dejebe tu dejebe
deseri iowa a mavy
an de bugui an de güidibidi
a sereje ja deje
dejebe tu dejebe
deseri iowa a mavy
an de bugui an de güidibidi

no es cosa de brujería
que lo encuentre to los días
por donde voy caminando
Diego tiene chulería y ese punto de alegría
raftafari-afrogitano
Y donde mas no cabe un alma
Y se mete a darse caña
Poseído por el ritmo ragatanga
y el dj que lo conoce toca el himno de las 12
para Diego la canción más deseada
y la baila!!!
y la goza!!
y la cantaaaaaaaa!!!
asereje ja deje
dejebe tu dejebe
deseri iowa a mavy
an de bugui an de güidibidi
a sereje ja deje
dejebe tu dejebe
deseri iowa a mavy
an de bugui an de güidibidi
ananananana
ananana nananananana
anananananananananan
ahí ahí ahíiii ee ooo

De sílabas de letras de fonemas
se faz a escrita. Não se faz um verso
Tem de correr no corpo dos poemas
o sangue das artérias do universo.Cada palavra há-de ser um grito.
Um murmúrio um gemido uma erecção
que transporte do humano ao infinito
a dor o fogo a flor a vibração.

A Poesia é de mel ou de cicuta?
Quando um poeta se interroga e escuta
ouve ternura luta espanto ou espasmo?

Ouve como quiser seja o que for
fazer poemas é escrever amor
a poesia o que tem de ser é orgasmo.

José Carlos Ary dos Santos